Dennys Xavier na Crusoé: O império do sentimentalismo
O homem atual é treinado para chorar, denunciar, reclamar — nunca para julgar criteriosamente, escolher ou agir com base em princípios
Vivemos sob o domínio pandêmico de um novo arranjo moral, mais insidioso que qualquer teocracia e mais eficaz do que a censura oficial dos regimes totalitários.
Trata-se do sentimentalismo tóxico, conceito forjado com precisão pelo psiquiatra britânico Theodore Dalrymple para descrever uma das mais graves patologias intelectuais do nosso tempo: a substituição da razão pela emoção como critério de verdade e justiça.
Nas palavras do autor:
“O sentimentalismo é o terreno fértil da crueldade. Ele substitui a ação moral verdadeira por demonstrações públicas de emoção, e frequentemente serve para justificar o mal sob o pretexto de boas intenções.”
Mais ainda:
“O sentimentalismo não é apenas a falsificação da emoção, mas a substituição da moralidade pela emoção. Ele inverte a ordem da responsabilidade: faz da dor um critério de autoridade e da vitimização uma forma de poder.”
Isso quer dizer que a era da argumentação séria e sobria cedeu lugar à era da ofensa (ou, ainda mais precisamente, do “sentir-se ofendido”).
Hoje, o simples ato de pensar contra a maré de um senso comum ressentido é considerado agressão; e a coragem de dizer o que precisa ser dito é condenada como violência simbólica, opressiva e “alguma coisa – fóbica”.
A nova sensibilidade social, promovida nas universidades, reforçada pelos algoritmos, por pais e mães relapsos e sancionada por juízes e legisladores, exige que a verdade curve-se ao trauma, e que a liberdade se submeta à fragilidade emocional.
A consequência política é imediata: quem sente, manda; quem argumenta, cala.
Segundo Dalrymple, esse fenômeno não é acidental, mas estruturado: o sentimentalismo é sempre um disfarce para a brutalidade, um substituto da virtude.
Em outras palavras, o sentimentalismo tóxico mimetiza a virtude enquanto desmantela os fundamentos morais que sustentam a…
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