Dennys Xavier na Crusoé: Gastar dinheiro próprio X gastar dinheiro alheio
Tipologia de Milton Friedman permite compreender por que determinadas estruturas administrativas tendem a apresentar níveis elevados de desperdício
Milton Friedman – economista norte-americano (1912-2006), um dos principais representantes da Escola de Chicago e um dos pensadores liberais mais influentes do século 20 – propôs uma distinção simples e extremamente esclarecedora acerca das formas fundamentais pelas quais o dinheiro pode ser gasto.
A referida distinção não constitui tão-somente um recurso pedagógico da teoria econômica.
Coloca-se como uma chave interpretativa capaz de revelar como funcionam os incentivos que orientam o comportamento humano nas decisões econômicas ordinárias e nas decisões políticas de maior escala.
Trata-se de uma tipologia fundada em dois critérios objetivos: 1) quem é o proprietário do dinheiro e 2) quem é o beneficiário do gasto.
Sigamos o fio.
A primeira forma consiste em gastar o próprio dinheiro consigo mesmo.
Nesse caso, coincidem plenamente o sujeito que suporta o custo e o sujeito que recebe o benefício.
O resultado dessa coincidência é um comportamento caracterizado por dois traços simultâneos: a preocupação com o valor do que se paga e a preocupação com a utilidade do que se recebe.
Quem compra para si mesmo procura pagar o menor preço possível e obter a melhor qualidade possível.
O controle do gasto é direto, imediato e constante, porque qualquer erro recai inteiramente sobre quem decide.
Essa situação constitui o modelo mais eficiente de decisão econômica individual, pois nela se preserva integralmente a relação entre escolha, responsabilidade e consequência.
Provavelmente, o primeiro tipo de gasto é aquele que vocês, caros leitores, conduzem em casa, com os ganhos obtidos por força do vosso trabalho.
A segunda forma consiste em gastar o próprio dinheiro com outra pessoa.
Aqui permanece o vínculo entre custo e responsabilidade, mas o vínculo entre benefício e avaliação da utilidade torna-se menos preciso.
Quem oferece um presente, por exemplo, procura não desperdiçar recursos, porém não tem o mesmo grau de conhecimento acerca das preferências do destinatário.
O gasto continua…
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