Dennys Xavier na Crusoé: Duas escritas e um dos maiores mistérios da Antiguidade
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A invenção da escrita representa uma das maiores transformações da história da civilização. Trata-se, para nós, de um ponto de viragem sem precedentes.
Enquanto a palavra falada desaparece no instante em que é pronunciada – e, então, depende de memória e tradição para se manter com alguma tangibilidade –, a palavra escrita persiste.
Ela permite registrar acontecimentos, organizar o comércio, administrar territórios, preservar tradições religiosas e transmitir conhecimento para gerações que não conhecerão aqueles que produziram os primeiros registros… segundo um mecanismo a que Platão se refere como “signos exteriores”.
Não por acaso, as primeiras formas de escrita surgiram em sociedades que alcançavam níveis crescentes de complexidade econômica e política. Quanto maior a necessidade de administrar pessoas, mercadorias, tributos e propriedades, maior também a necessidade de registrar informações de maneira estável.
Logo, é preciso dizer, a escrita não surge, em seus primeiros movimentos, para registrar a história, a poesia ou a filosofia de um povo. Ela tem caráter eminentemente de “inventário”.
Foi exatamente esse processo que ocorreu na ilha de Creta durante a Idade do Bronze. Entre aproximadamente 2 mil a.C. e 1.450 a.C., desenvolveu-se ali a civilização minoica, considerada uma das mais sofisticadas do Mediterrâneo oriental.
Os grandes palácios de Cnossos, Festo, Mália e Zakros concentravam funções políticas, religiosas, administrativas e econômicas. Neles, eram armazenados cereais, azeite, vinho, metais e produtos manufaturados provenientes de diferentes regiões.
Oficinas funcionavam sob supervisão palaciana, impostos eram recolhidos e redistribuídos, mercadorias entravam e saíam continuamente. Uma organização dessa dimensão exigia instrumentos capazes de controlar informações com precisão.
No início do…
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