Delegados da PF reagem a proposta de Gilmar para gabinetes do STF
Entidade afirma que delegados atuam nos gabinetes por conhecimento técnico e não devem ser responsabilizados pela crise
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) criticou nesta quinta-feira, 3, a sugestão feita pelo decano Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, ao presidente da Corte, Edson Fachin, na tentativa de conter a crise no tribunal: proibir delegados da Polícia Federal de atuarem nos gabinetes dos magistrados.
A ideia, que já vinha sendo defendida pelo ministro em função da crise entre a direção da PF e o ministro André Mendonça, ganhou força após os novos vazamentos relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro e a retirada do sigilo das investigações.
Em nota assinada pelo presidente da entidade, Edvandir Paiva, a ADPF classificou a iniciativa de Gilmar como “lamentável” e afirmou que os policiais federais não podem ser responsabilizados pelos problemas enfrentados atualmente pelo tribunal.
“É lamentável a postura do ministro Gilmar Mendes em relação à atuação dos delegados da Polícia Federal. Os profissionais destacados para atuar nos gabinetes dos ministros estão ali justamente em razão de sua expertise e de seu conhecimento técnico, características próprias da atividade de delegado da PF”, diz o texto.
“Magistrados não são obrigados a dominar todos os ramos e situações que chegam a sua apreciação e ter profissionais especialistas em várias áreas é salutar em todos os gabinetes. Esse auxílio especializado é tradicionalmente promovido por advogados da União, juízes auxiliares e delegados, que dão suporte em uma melhor compreensão dos aspectos que permeiam uma investigação policial”, disse.
Tensão entre Mendonça e Andrei Rodrigues
A cúpula da Polícia Federal e o gabinete do ministro André Mendonça vivem um momento de tensão institucional por discordâncias na condução de inquéritos.
Mendonça determinou que a PF encaminhe todos os documentos brutos das investigações sobre o escândalo no INSS. No mês passado, o magistrado já havia ordenado que qualquer alteração na equipe responsável pelo caso dependesse de sua autorização prévia.
A crise se agravou após a PF pedir a abertura de um inquérito para apurar a atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante o plantão do ministro Alexandre de Moraes. Com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), o caso foi distribuído a Mendonça, relator da investigação principal sobre as fraudes no INSS.
Outro fator que escalou a crise foi surgimento do nome de Andrei Rodrigues nos vazamentos relacionados ao inquérito do Banco Master.
M mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro apontam que o banqueiro fez referência à necessidade de obter “proteção de Andrei e de Paulo” antes de ser preso.
Segundo o relatório policial, os nomes fazem referência ao diretor-geral da PF e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
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