Delegados da PF criticam condução de Toffoli no caso Master
Entidade fala em “cenário manifestamente atípico” e em ruptura da prática institucional entre PF e STF
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) criticou a condução do ministro Dias Toffoli (foto), do Supremo Tribunal Federal, nos inquéritos sobre o caso do Banco Master.
Em nota, a entidade afirma que decisões do magistrado criaram um “cenário, de caráter manifestamente atípico” e fogem da prática institucional que rege a atuação conjunta entre a PF e o STF.
Segundo a ADPF, em nota divulgada originalmente no jornal O Globo, há “elevada preocupação” com o andamento das apurações e indícios de que prerrogativas dos delegados responsáveis pelo caso estariam sendo reduzidas.
A associação defende uma divisão clara de competências: “aos ministros do Supremo compete o exercício da jurisdição constitucional (…) aos delegados, por sua vez, incumbe a condução da investigação criminal”.
Na nota, os delegados citam ordens judiciais que, segundo a entidade, interferem no planejamento policial, como a imposição de acareações e prazos curtos para buscas, apreensões e oitivas.
Também mencionam determinações sobre lacração de objetos, envio de materiais a outros órgãos e escolha nominal de peritos, práticas que “destoam dos protocolos institucionais da PF”.
Para a ADPF, “tal cenário, de caráter manifestamente atípico, além de causar legítima perplexidade institucional, implica afronta às prerrogativas legalmente conferidas aos delegados”.
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Tudo muito esquisito
A condução do caso Master por Dias Toffoli é esquisita desde o motivo que levou a questão para o STF — a citação do nome de um deputado numa intenção de compra de imóvel que não se concretizou.
Desde então, o ministro decretou sigilo absoluto, marcou uma acareação que não tem previsão legal, contra indicação do Ministério Público Federal, e decretou que todas as apreensões da segunda fase da Compliance Zero fossem lacradas no STF.
Toffoli voltou atrás das decisões sobre a acareação e a lacração das provas, mas indicou perguntas a Daniel Vorcaro, dono do Master, e mandou recados para a PF e o Banco Central, numa condução caótica do caso.
Família
Para piorar, reforçam-se a cada dia os laços de familiares do ministro com o Banco Master.
O empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, é um dos donos de um fundo de investimentos que aportou 6,6 milhões de reais no resort Tayayá.
O empreendimento teve entre seus principais acionistas familiares do relator do caso do Master, que, não bastasse, viajou com um dos advogados que atuam no caso para a final da Libertadores, no Peru.
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Comentários (1)
Clayton de Souza Pontes
18.01.2026 14:34O PToffoli, que não tem credibilidade nenhuma e está fazendo uma confusão no caso do Master, parece preferir o desgaste como relator do caso a admitir que tem interesse nesse caso. E aí Fachin? Vai colocar ordem na casa?