Delegacia da mulher comemora quatro décadas em São Paulo
Unidade pioneira de defesa da mulher consolida a maior rede do país e incorporando tecnologia no combate à violência de gênero
A primeira Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do Brasil, uma iniciativa do governo de São Paulo, completou hoje quarenta anos de sua inauguração. A unidade, inicialmente estabelecida na região central da capital paulista, surgiu para prover atendimento especializado e exclusivo a mulheres vítimas de violência.
Liderada pela delegada Rosmary Corrêa, a delegacia representou um avanço importante, dado que, antes da sua criação, a busca por auxílio era rara, devido à ausência de atendimento específico, o receio e o constrangimento. A iniciativa permitiu às mulheres encontrar um espaço de acolhimento e esperança para transformar suas vidas.
Expansão e modernização da rede
Desde 1985, a rede de proteção evoluiu significativamente. Atualmente, São Paulo concentra 142 Delegacias de Defesa da Mulher, a maior rede do país, com 18 delas operando 24 horas. Além das unidades fixas, foram estabelecidas 164 salas especializadas em plantões policiais de funcionamento ininterrupto, das quais cem foram implementadas na gestão atual, representando uma expansão de 164,5%, desde 2022. Nesses locais, o atendimento é viabilizado por videoconferência com uma equipe da DDM Online.
A estrutura das DDMs também se tornou multidisciplinar, oferecendo suporte de assistentes sociais e assistência jurídica quando necessário.
A delegada Cristine Nascimento, há 13 anos no comando da primeira DDM, aponta o crescimento significativo na equipe, e a capacidade de atendimento se expandiu para todo o estado: “Quando cheguei, trabalhava com uma equipe de 15 policiais. Hoje, tenho quase 50. A unidade funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana e atende todo o estado de São Paulo. A gente cresceu muito e melhorou muito desde aquela sementinha que a doutora Rose plantou lá em 1985, com a primeira DDM”.
Novas tecnologias e políticas públicas reforçam o combate à violência. O aplicativo SP Mulher Segura permite o registro de boletins de ocorrência e aciona um botão do pânico para mulheres com medida protetiva. O sistema utiliza georreferenciamento para identificar a proximidade entre a vítima e um agressor monitorado por tornozeleira eletrônica, despachando uma viatura policial se uma aproximação for detectada.
Até julho de 2025, o aplicativo registrou 949 boletins de ocorrência, 1.820 acionamentos do botão do pânico e 10,3 mil downloads. A Cabine Lilás, instalada no Copom, dispõe de policiais femininas especializadas para atender chamados via 190 e orientar sobre medidas protetivas. Quatro cabines operam no estado, e até julho de 2025, realizaram 8.998 atendimentos, resultando em 58 prisões em flagrante por descumprimento de medidas protetivas.
Os investimentos governamentais também incluem o reforço das equipes das DDMs com 473 policiais e a criação da primeira Secretaria de Políticas para a Mulher do estado. No primeiro semestre de 2025, as DDMs realizaram 6,9 mil prisões, um aumento de 37,6% em relação ao ano anterior, e instauraram 61,2 mil inquéritos, crescimento de 26,9%.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)