Delator entrega à PF mensagens com advogado de Eduardo Bolsonaro
Material inclui ainda planilhas e contratos sobre repasses de US$ 12,3 milhões investigados no caso Dark Horse
O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, entregou à Polícia Federal planilhas, contratos de câmbio e mensagens trocadas com Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro (foto), publica O Globo.
O material integra a investigação sobre o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, e inclui documentos relacionados a um fundo nos Estados Unidos ligado a Calixto.
Segundo informações enviadas pela PF ao Supremo Tribunal Federal (STF), Mineiro apresentou uma planilha de depósitos, sete contratos de câmbio, comprovantes bancários, formulários fiscais americanos, e-mails e uma carta com os termos do investimento no fundo Havengate.
Em depoimento em 1º de outubro, ele confirmou ter realizado sete transferências entre fevereiro e novembro de 2025, que somaram US$ 12,3 milhões — cerca de R$ 69 milhões na cotação da época.
Os recursos saíram da Entre Investimentos e foram enviados ao Havengate a pedido de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Mineiro afirmou que a operação foi apresentada como investimento em um fundo imobiliário nos Estados Unidos, com projetos no Texas e na Flórida.
Disse que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, pediu as remessas porque sua empresa enfrentava entraves cadastrais para investir no exterior.
“Segundo ele, a operação lhe foi apresentada como subscrição em fundo imobiliário norte-americano associado a Paulo Calixto, e ele jamais foi informado de que os recursos se destinariam a um filme”, afirmou a PF.
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Relação com Eduardo
Uma das linhas de investigação busca esclarecer se o dinheiro enviado ao Havengate também pode ter financiado a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O ex-deputado se mudou para o Texas em fevereiro de 2025, alegando perseguição política no Brasil. No fim daquele ano, teve o mandato cassado por excesso de faltas não justificadas.
A PF apontou, porém, divergências no relato de Mineiro.
Embora ele diga que desconhecia a destinação dos recursos, um documento apresentado durante a colaboração premiada menciona expressamente o investimento no filme.
A corporação também identificou uma carta com os termos do aporte e outros registros financeiros que serão analisados.
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