Delação de alvos da Operação Carbono Oculto trava na PGR
"Beto Louco" e "Primo" apontam pagamento de mais de R$ 400 milhões em propinas a autoridades e políticos
Um pedido de delação premiada apresentada pelos empresários Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, alvos da Operação Carbono Oculto, está emperrado na Procuradoria-Geral da República (PGR), segundo G1.
Desde outubro do ano passado, o processo envolvendo a dupla está parada na PGR.
O material reunido pelas autoridades inclui documentos, mensagens de celular, gravações e comprovantes de pagamento que apontariam o repasse de mais de R$ 400 milhões em propinas a autoridades e políticos entre 2022 e 2024.
De acordo com a reportagem, os pagamentos serviam para evitar cassação de licenças do grupo empresarial, obter vantagens tributárias e ter acesso privilegiado à Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Beto Louco e Primo estão foragidos.
Já o Ministério Público de São Paulo avançou em uma delação premiada, que será homologada pela Justiça paulista em até 60 dias.
Movimentação financeira do esquema
Apenas na região da Faria Lima foram 42 alvos, entre fintechs, corretoras e fundos de investimento. A organização criminosa ligada ao PCC teria movimentado cerca de R$ 52 bilhões, e utilizou 40 fundos para blindar os recursos.
Roberto Augusto Leme da Silva, “Beto Louco”, gerente da Copape e da distribuidora Aster, é apontado como co-líder do grupo. Segundo a investigação, empresas do grupo inflavam artificialmente preços de insumos entre Copape e Aster para sonegar impostos e obter créditos tributários indevidos.
Após a cassação da licença da Aster, o esquema teria continuado por meio da Duvale, de Jardinópolis, e de uma rede de empresas laranja, usadas para ocultar a posição societária de Leme da Silva.
Diferentemente de Mourad, “Beto Louco” é classificado como “associado e profissional cooptado” e não é vinculado diretamente ao PCC.
Mourad
Mohamad Hussein Mourad é considerado um dos principais operadores, com envolvimento em fraudes fiscais, contábeis, estelionato e lavagem de dinheiro, segundo a investigação.
Ele administra uma complexa rede de empresas, incluindo usinas sucroalcooleiras, transportadoras, redes de postos de combustíveis e padarias, usada para ocultar a origem e destino de recursos ilícitos.
Mourad já havia sido alvo da Operação Cassiopeia, que identificou vínculos com o PCC.
Para driblar a fiscalização, ele passou a constituir empresas em nome de laranjas, usando CNPJs duplicados e inconsistências contábeis, sinais de lavagem de capitais.
Operação contra PCC
A megaoperação cumpriu apenas seis dos 14 mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça. Entre os detidos estão João Chaves Melchior, ex-policial civil; empresários do setor de combustíveis como Ítalo Belon Neto e Thiago Augusto de Carvalho Ramos; Rafael Bronzatti Belon, dono da Tycoon Technology e do banco digital Zeit Bank; Gerson Lemes e Rafael Renard Gineste, sócio da F2 Holding Investimentos.
A força-tarefa mobilizou mais de 1.400 agentes do MP-SP, MPF, PF, Polícias Civil e Militar, Receita Federal, Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo, ANP e Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo.
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