Defesa de Vorcaro usou informações sigilosas da PF contra prisão
Segundo O Globo, banqueiro teria "esquentado" dados em site de notícia para antecipar ação na Justiça
A defesa de Daniel Vorcaro utilizou dados sigilosos do inquérito conduzido pela Polícia Federal (PF) contra o Banco Master para embasar um pedido na Justiça Federal contra a prisão do banqueiro, segundo o jornal O Globo.
De acordo com a investigação, ainda sob sigilo, o hackeamento de sistemas da própria PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) teria revelado a Vorcaro a existência de um inquérito sigiloso sobre fraudes em tramitação na 10ª Vara Federal de Brasília.
A partir disso, o banqueiro teria recorrido a uma estratégia para “esquentar” a informação: o conteúdo foi divulgado pelo site O Bastidor, dirigido pelo jornalista Diego Escosteguy, tornando público um dado que até então era restrito.
Segundo a PF, o jornalista “recebia dinheiro de DBV para publicar informações de interesse do banqueiro”. O órgão anexou conversas entre Escosteguy e Vorcaro.
Diálogos
O órgão anexou conversas entre Escosteguy e Vorcaro, nas quais o empresário indica, inclusive, a conta para depósito dos valores.
“O mesmo jornalista esquenta uma informação que DBV tinha de que havia um processo criminal em trâmite na 10ª VF/DF”, diz o documento.
“ A partir daí os advogados peticionam na Vara fazendo menção à reportagem publicada por Escosteguy. Logo após a publicação, o jornalista envia a reportagem para DBV e para Walfrido Warde (advogado de Vorcaro)”.
A matéria teria sido publicada às 11h08m de 17 de novembro.
Horas depois, às 15h47m, a defesa de Vorcaro enviou por e-mail à Justiça Federal de Brasília uma petição dirigida especificamente à 10ª Vara Federal e ao juiz Ricardo Leite, se posicionando contra “medidas cautelares eventualmente requeridas”, que poderiam provocar “impacto relevante” e causar “prejuízo irreversível a todo o conglomerado Master”.
Segundo a reportagem, a ordem de prisão de Vorcaro tinha sido assinada pelo mesmo juiz 18 minutos antes, às 15h29m.
A sentença proferida sobre a prisão de Vorcaro deveria ser de conhecimento apenas do gabinete do juiz federal que autorizou a operação, além dos investigadores.
O pedido às pressas, junto com a decisão do banqueiro de viajar para fora do país, teriam levantaod suspeitas em torno de um possível vazamento da Justiça Federal de Brasília.
As mensagens basearam a terceira etapa da Operação Compliance Zero, autorizada nesta quarta, 4, pelo ministro André Mendonça, do STF.
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