Defesa de MC Poze pede soltura e fala em “perseguição à arte periférica”
Funkeiro foi preso sob suspeita de apologia ao crime e associação com o Comando Vermelho
A defesa do funkeiro MC Poze do Rodo protocolou um habeas corpus no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro pedindo sua libertação imediata. Preso na última quinta-feira, 29, sob suspeita de apologia ao crime e associação com o Comando Vermelho, MC Poze é acusado de realizar shows em áreas controladas pela facção e de cantar letras que fariam referência a traficantes armados.
O pedido, assinado pelo advogado Alexandre Manoel Augusto Dias Júnior, alega que a prisão é baseada em provas frágeis e subjetivas — como vídeos de apresentações em comunidades e letras de músicas — e viola o direito à liberdade de expressão.
A defesa argumenta que as canções de Poze são manifestações artísticas protegidas constitucionalmente e que não há incitação direta ao crime.
A petição também denuncia o que chama de “perseguição cultural” e “criminalização da arte periférica”. Segundo o texto, “se o paciente fosse um artista do asfalto, certamente a prisão não ocorreria”.
O advogado também critica o uso de algemas na abordagem, mesmo sem resistência, e acusa a Polícia Civil de “espetacularizar” a prisão ao divulgar o caso em redes sociais com o termo “RODOU”.
A Justiça ainda não decidiu sobre o habeas corpus.
Ligação com o Comando Vermelho
Poze segue preso em Bangu 3, unidade onde ficam detentos ligados ao Comando Vermelho.
Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), ele declarou, no ato de triagem, que não teria problema em conviver com integrantes da facção, o que determinou sua alocação na unidade.
A prisão foi decretada após a divulgação de um vídeo de show na Cidade de Deus, em 17 de maio, em que o cantor exaltava líderes do tráfico.
Nas imagens, um homem armado com fuzil aparece na plateia. O evento ocorreu dois dias antes da morte de um policial civil na mesma favela, o que, segundo investigadores, reforça o vínculo entre o artista e o crime organizado.