Defesa de ex-secretário do Maranhão pede suspeição de Dino
Advogado de Raimundo Cutrim, fonte de Luís Pablo, alega conflito de interesses e “clima de animosidade”
A defesa do ex-secretário de Estado do Maranhão Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens sobre Flávio Dino, pediu a suspeição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) da relatoria do caso.
O advogado José Berillo de Freitas Filho alega viés político na atuação do magistrado e aponta conflito de interesses por ser suposta “vítima”.
“Ora, se em um momento ele é o relator de uma prisão contra o Raimundo Cutrim, e no segundo momento ele é apontado como a vítima no caso que é de relatoria do ministro Moraes, a gente entende que há um choque de interesses aí. Se em um momento ele é vítima, em outro momento ele é o algoz, e o relator de uma prisão desproporcional e descabida. Então esses são os fatos que nos levaram a peticionar junto ao STF”, disse.
A defesa afirma ainda que há um “clima de animosidade” entre Dino e Raimundo.
“Vemos tudo isso como questão política, nós estamos a poucos dias das eleições […] fica muito estranho alguém que foi governador do estado do Maranhão e agora é ministro do STF, julgar causas de inimigos políticos, como o governador [do Maranhão, Carlos Brandão] e o delegado aposentado Raimundo Cutrim. Me soa estranho. Então, a preocupação é latente”, afirma.
Na última semana, o ministro Alexandre de Moraes determinou uma busca e apreensão contra o ex-secretário. Ele seria fonte do jornalista Luís Pablo em uma série de reportagens denunciando o uso irregular de carros oficiais pelo ministro Flávio Dino e seus familiares no Maranhão.
Dino nega irregularidades
Dino afirmou que jamais” utilizou, de modo irregular, um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão.
Segundo a equipe do magistrado, Dino e sua família utilizavam um carro blindado cedido por solicitação da Secretaria de Segurança do STF, como parte de um “acordo de cooperação vigente com todos os tribunais do país”.
A nota diz ainda que as investigações apontaram o monitoramento de veículos particulares do ministro e de sua família. “As pessoas que comandavam esse esquema não são JORNALISTAS; exercem outras profissões.“
E acrescenta:“O trabalho dos investigadores também apontou o acesso ilegal, por funcionário público, a informações sigilosas de segurança, que foram utilizadas em um monitoramento clandestino e ilegal. Foram produzidas clandestinamente imagens do ministro e da sua família, inclusive filhos que são crianças, abrangendo seus itinerários habituais e normais.
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