Decisão de Mendonça sobre sala-cofre “protege a prova”, diz Viana
Presidente da CPMI afirma que restrição de acesso evita erros e garante resultado da investigação
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG) afirmou nesta terça-feira, 17, que a decisão do ministro André Mendonça que determinou o fechamento da sala-cofre no Senado e restringiu o acesso ao material apreendido tem como objetivo preservar a integridade da investigação. “A decisão […] protege a investigação. Protege a prova. E protege o resultado que o Brasil espera”, declarou o parlamentar.
Segundo Viana, a medida foi recebida pela presidência da comissão com “respeito, maturidade institucional e total alinhamento”. Ele afirmou que a restrição de acesso ao conteúdo sensível evita falhas na condução dos trabalhos e impede prejuízos à apuração.
“Nós não vamos permitir que esse trabalho seja comprometido por erro, por precipitação ou por qualquer tentativa de desorganizar aquilo que está sendo feito com seriedade. O nosso compromisso é com a verdade completa. E a verdade exige responsabilidade”, ressaltou.
O senador também citou o avanço da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, com autorização do Supremo. Segundo ele, as apurações revelam um esquema “grave” que atingiu diretamente aposentados e pensionistas.
“Estamos diante de um esquema que atacou diretamente aposentados e pensionistas. Gente simples. Gente que trabalhou a vida inteira. Gente que confiou no Estado e foi traída”, afirmou. Viana reforçou também que não haverá proteção a eventuais envolvidos. “Não haverá blindagem. Não haverá espaço para quem tentou transformar o sofrimento do povo em negócio”, declarou.
O presidente da CPMI também mencionou a publicação, no Diário Oficial da União, da suspensão de averbações de crédito consignado envolvendo o Banco C6, apontando a medida como resultado da atuação da comissão.
“Isso não é coincidência. Isso é consequência. Isso é fruto de pressão legítima, de fiscalização e de um trabalho sério que esta Comissão vem conduzindo”, disse.
Vazamentos
Na noite de segunda-feira, 16, Viana criticou, em entrevista concedida ao programa Roda Viva, decisões do STF e negou que a CPMI tenha sido responsável por vazamentos de informações no caso envolvendo o Banco Master. Segundo ele, a comissão foi acusada de forma indevida.
“Quando surgiram os primeiros vazamentos, a CPMI foi acusada pelo ministro Alexandre de Moraes de ser a responsável. Isso não é verdade. A maior parte das informações que vazaram nós sequer tínhamos acesso naquele momento”, disse.
De acordo com o senador, parte do material sequer estava disponível à comissão por depender de análise técnica. “Recebemos conteúdos que dependiam de quebra de criptografia pela Polícia Federal. Ou seja, havia dados que nem estavam sob controle da comissão”, destacou.
Viana também demonstrou preocupação com a divulgação de conteúdos sensíveis da intimidade de Vorcaro. “Há vídeos íntimos, particulares, que não têm relação com a investigação. O vazamento desse tipo de material só prejudica o trabalho e pode comprometer provas“.u.
Ele defendeu a prorrogação da comissão e afirmou que o objetivo é responsabilizar os envolvidos. “Só tem medo de prorrogar essa CPMI quem não quer a verdade. O nosso papel é produzir um relatório que leve os responsáveis ao banco dos réus”, concluiu.
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