Decisão que embasou megaoperação no RJ cita tortura de moradores
O chamado "Grupo Sombra" do Comando Vermelho é encarregado de torturar, punir e executar moradores ou rivais
A decisão judicial que embasou a Operação Contenção, deflagrada na terça-feira, 28, pelas forças de segurança do Rio de Janeiro, cita o uso sistemático da tortura pelo Comando Vermelho (CV) como punição a moradores do Complexo da Penha considerados desobedientes.
Com base em mensagens e vídeos coletados que mostram o funcionamento interno do CV, o juiz Leonardo Rodrigues da Silva Picanço, da 42ª Vara Criminal da capital fluminense, disse que “os elementos de convicção deixam revelar indícios suficientes de autoria e prova da materialidade dos crimes de tortura e associação para o tráfico de drogas, praticados com emprego de arma de fogo e envolvendo adolescentes”.
Segundo o Ministério Público, o gerente geral do tráfico na Penha era Washington César Braga da Silva, o Grandão ou Síndico, um dos homens de confiança de Edgar Alves de Andrade, o Doca.
Como chefe do chamado “Grupo Sombra”, ele lidera uma equipe armada encarregada de torturar, punir e executar moradores ou rivais.
Formado por matadores a serviço do CV, o grupo atua na expansão territorial da facção na região de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio.
Tortura
Ao mencionar vídeos e conversas que indicam uma rotina de abusos e punições violentas, a decisão mostrou Aldenir Martins do Monte Júnior sendo amarrado, amordaçado e arrastado por um carro.
Antes de morrer, ele falou o nome “BMW”, como é conhecido Juan Breno.
A decisão diz que BMW aparece “fazendo piada do sofrimento da vítima”.
Em outro trecho, o documento cita Fagner Campos Marinho, o Bafo. O material mostrou o criminoso perguntando a um homem se ele “quer morrer logo”, enquanto o torturava.
A vítima parece “aceitar a execução como forma de interromper o sofrimento”, segundo o juiz.
Tribunais do tráfico
As mensagens mostram ainda que o Comando Vermelho possui tribunais do tráfico nos complexos alvos da megaoperação.
Os tribunais tinham “autonomia para determinar a execução de rivais de menor expressão”.
A denúncia apresentou fotos de uma mulher descrita como “briguenta que gosta de arrumar confusão no baile”. Ela foi colocada em um compartimento com gelo.
Outra imagem mostra um homem no chão, alvo de pauladas dos criminosos.
Em uma conversa interceptada, Carlos da Costa Neves, o Gardenal, que também é homem de confiança do Doca, demonstra irritação com o trabalho nas bocas de fumo.
“O gerente nós vai (sic) mandar matar agora, na frente de geral”, disse ele.
A conversa exemplifica a forma violenta como o tráfico é controlado pelo Comando Vermelho.
Postura rígida
Para o Ministério Público, as conversas demonstram o uso da tortura como instrumento de dominação e intimidação nas comunidades controladas pela facção.
O juiz defendeu uma “postura rígida” das autoridades e da polícia.
“Ressalta-se, por importante, que as atividades criminosas desenvolvidas pelos denunciados se afiguram demasiadamente perigosas e bem especializadas”, disse o magistrado.
“A criminalidade assume proporções quase que incontroláveis, exigindo, cada vez mais, a adoção de uma postura rígida por parte das autoridades policiais, do Ministério Público e do Poder Judiciário, no sentido de restabelecer a paz social”, acrescentou o juiz.
“É pueril imaginar que uma vida criminosa, como resta indiciado ser a dos acusados acima mencionados, cessará como que por encanto. Não é isso que a realidade demonstra”, escreveu Leonardo Picanço na decisão que autorizou a megaoperação.
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Comentários (6)
Mariade
30.10.2025 12:45Que o juiz continue exercendo sua função com independencia e apoio de todos.
Mariade
30.10.2025 12:44é dificil acreditar que midia oficial trouxe "especialistas" para invalidar aoperação. Não são eles que sofrem as torturas. Assisti a algumas entrevistas ontem, fiquei estarrecida. É por que não são eles que sofrem os achaques , as torturas.
F-35- Hellfire
30.10.2025 12:38O problema do Brasil é a tolerância com os crimes e assassinos. Isto acontece porque o Lula passa a mão na cabeça de ladrões de celulares e diz que ele é um coitadinho, vítima da sociedade onde vive! Depois diz que o traficante é vítima do drogado. A justiça brasileira também é a grande culpada pois dá péssimos exemplos de tolerância com os políticos dos quais Lula é o exemplo mais evidente pois envolvido com corrupções em escalas astronômicas, absurdas, da ordem de bilhões e bilhões de dólares, e também em assassinatos como os de Celso Daniel, + 7 testemunhas e Toninho (Prefeito de Campinas), depois de condenado em várias instâncias, com provas irrefutáveis conseguiu comprar sua soltura. As provas estão aí, todo mundo sabe. Lula não tem mais condições morais de ser presidente do Brasil. Impeachment já!
Fabio B
30.10.2025 10:34As maiores vítimas são as pessoas que vivem dentro da zona de controle das facções. São obrigadas a contratar somente os serviços da facção, pagar impostos à facção e seguir as leis da facção. Essa população que precisa ser urgentemente libertada.
Annie
30.10.2025 10:27Isso não é de hoje e a justiça fecha os olhos para.isso inclusive o STF parabéns pela atitude do Juiz.
Denise Pereira da Silva
30.10.2025 09:55Parabenizo a atitude digna e corajosa do juíz Leonardo Rodrigues da Silva Picanço. Vamos ficar de olho e ver se esse juíz não sofrerá algum tipo de retaliação por parte de agentes e autoridades políticas.