Debate eleitoral reforça defesa de dados processados no Brasil
Em entrevista para O Antagonista, vice-presidente sênior da Scala Data Centers, afirma que as eleições evidenciam a importância de manter informações estratégicas sob a legislação brasileira
O debate em torno das eleições de 2026 também evidencia a necessidade de o Brasil fortalecer sua infraestrutura digital e ampliar a capacidade de processar dados em território nacional. A avaliação é de Luciano Fialho, vice-presidente sênior da Scala Data Centers, em entrevista exclusiva a O Antagonista.
Segundo o executivo, o período eleitoral reforça a importância de que informações estratégicas permaneçam submetidas à legislação brasileira, especialmente diante do avanço da inteligência artificial e do crescimento do volume de dados processados no país.
“Você imagina contar os votos dos brasileiros em um data center nos Estados Unidos? Não faz sentido nenhum. É importante que esses dados estejam no Brasil, sujeitos à legislação brasileira”, afirmou.
Fialho ressaltou que a observação não se refere ao uso da inteligência artificial nas eleições nem coloca em dúvida a segurança do processo eleitoral. Segundo ele, a discussão diz respeito à infraestrutura responsável por armazenar e processar informações consideradas estratégicas para o país.
O executivo lembrou que a apuração das últimas eleições foi processada em um data center da Scala, em São Paulo, e defendeu que o Brasil amplie sua capacidade de hospedar e processar dados sensíveis sem depender de estruturas instaladas no exterior.
Na entrevista, Fialho também defendeu que o Congresso Nacional avance na criação de uma política de Estado para infraestrutura digital, reunindo em uma mesma estratégia temas como energia, tributação, indústria, conectividade e proteção de dados.
“O que a gente quer é que o setor seja olhado como um vetor de desenvolvimento. A gente precisa de uma política transversal. Não adianta resolver o problema da energia sem resolver a competitividade, ou tratar apenas da tributação. As políticas precisam conversar entre si”, disse.
Na avaliação do executivo, o Brasil reúne vantagens competitivas para se consolidar como um polo internacional de data centers, como a oferta de energia, disponibilidade de território e um dos maiores mercados consumidores de dados do mundo. O desafio, segundo ele, é transformar essas condições em políticas públicas que fortaleçam a soberania digital brasileira e reduzam a dependência de infraestrutura localizada em outros países.
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