De Toni quer que sociedade julgue crimes de colarinho branco
Na justificativa da PEC, Carol De Toni argumenta que a corrupção destrói políticas públicas essenciais e inviabiliza investimentos
A deputada federal Carol De Toni (PL-SC) – pré-candidata ao Senado – apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para ampliar a competência do Tribunal do Júri e permitir que crimes relacionados à corrupção também sejam julgados diretamente pela sociedade.
A proposta altera o inciso XXXVIII do art. 5º da Constituição Federal, incluindo os crimes de corrupção entre aqueles submetidos ao júri popular — modelo atualmente reservado aos crimes dolosos contra a vida.
Para a parlamentar, a corrupção deixou de ser apenas um crime administrativo ou econômico e passou a representar um ataque direto à vida, à dignidade e ao futuro da população brasileira.
“Quem nunca se imaginou julgando um corrupto? Aquele que roubou o dinheiro do imposto que você pagou, desviou recursos da saúde, favoreceu empresas em troca de propina e traiu a confiança do povo. Se o povo é quem mais sofre com a corrupção, o povo deve participar diretamente do julgamento desses crimes”, afirmou.
Na justificativa da PEC, Carol De Toni argumenta que a corrupção destrói políticas públicas essenciais, inviabiliza investimentos e compromete serviços básicos.
“Um desvio milionário pode impedir a construção de hospitais, o fornecimento de medicamentos, obras de saneamento ou escolas dignas. Corrupção mata silenciosamente”, sustenta o texto.
A proposta também utiliza como exemplo os desdobramentos da Operação Lava Jato, considerada o maior escândalo de corrupção da história do país.
Segundo a deputada, apesar das provas produzidas e dos prejuízos bilionários identificados, grande parte das condenações acabou anulada por questões processuais.
“O sentimento de impunidade se espalhou pelo país. O recado para a população foi devastador: roubar os cofres públicos parece compensar”, afirmou.
A parlamentar defende que o Tribunal do Júri oferece maior proteção contra interferências políticas e decisões desconectadas do sentimento de justiça da sociedade.
“O júri popular possui garantias constitucionais fundamentais, como a soberania dos veredictos, o sigilo das votações e a plenitude de defesa. A decisão do povo é muito mais protegida contra interferências indevidas”, argumenta.
Dados citados pela deputada apontam que o Brasil ocupa a 107ª posição entre 182 países no índice de percepção da corrupção da Transparência Internacional. Estimativas também indicam que o país perde cerca de 160 bilhões de reais por ano com corrupção — valor equivalente a aproximadamente 8% do PIB nacional.
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Comentários (1)
Maglu Oliveira
22.06.2026 14:05Da família Bolsonaro também, De Toni?