Cunhado de Gilmar chega ao Senado e se esbalda em restaurante português com dinheiro público

03.10.2026

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Cunhado de Gilmar chega ao Senado e se esbalda em restaurante português com dinheiro público
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5 minutos de leitura 09.12.2021 17:10 comentários
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Cunhado de Gilmar chega ao Senado e se esbalda em restaurante português com dinheiro público

Quanto você gastou com refeição em restaurantes no mês de novembro? Chiquinho Feitosa (foto), um empresário milionário que virou senador no último mês, torrou R$ 4.508,20 da cota parlamentar para se esbaldar com boa comida na capital federal. O chamado cotão é dinheiro público a que todo congressista tem direito a usar com quase tudo o que você conseguir imaginar...

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5 minutos de leitura 09.12.2021 17:10 comentários 0
Cunhado de Gilmar chega ao Senado e se esbalda em restaurante português com dinheiro público
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Quanto você gastou com refeição em restaurantes no mês de novembro?

Chiquinho Feitosa (foto), um empresário milionário que virou senador no último mês, torrou R$ 4.508,20 da cota parlamentar para se esbaldar com boa comida na capital federal.

O chamado cotão é dinheiro público a que todo congressista tem direito a usar com quase tudo o que você conseguir imaginar.

Em seu primeiro mês no Senado, Chiquinho elegeu um restaurante predileto e decidiu gastar R$ 3.136,20 somente ali: trata-se de uma casa de culinária portuguesa que leva o nome do dono, Manoelzinho, e tem como chef um renomado cearense, conterrâneo do recém-senador. Por muitos anos, Manoelzinho foi sócio de outro restaurante badalado no centro do poder, frequentado por políticos, ministros do Judiciário e a alta classe brasiliense.

Chiquinho não esperou muito: já no dia seguinte à posse, sentou-se no Manoelzinho Portuga e consumiu itens que geraram uma conta de R$ 1.462, paga com dinheiro público. A nota fiscal apresentada para o devido ressarcimento do Senado, já aprovado, traz o estranho horário de 8h22 (da manhã). Com base no documento consultado por O Antagonista no Portal da Transparência do Senado, foram pedidos 10 ‘picadinhos à moda do Rio’, 10 pasteis de nata, 5 saladas, 20 refrigerantes e oito embalagens — foi tanta comida que deve ter sobrado.

Em novembro, Chiquinho ainda voltaria ao restaurante português outras três vezes, pelo menos, deixando por lá valores mais modestos: R$ 693,20, na tarde do dia 16, uma terça-feira; R$ 742, na tarde do dia 18, uma quinta-feira (total dividido em duas notas); e R$ 239 na hora do almoço do dia 23, uma terça-feira. Pela descrição das notas, Chiquinho adora picadinho.

No dia 17, uma quarta-feira, na hora do almoço, há o registro de outra conta que passou dos R$ 1 mil: Chiquinho recorreu ao cotão para custear quatro saladas, quatro belas refeições e um pudim no restaurante Coco Bambu de um shopping de Brasília. Foram R$ 1.372 também pagos por você, no fim das contas.

O Antagonista procurou a assessoria do senador para ouvir explicações sobre esses gastos, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.

Além das refeições, o novo senador da República valeu-se da cota parlamentar para pagar R$ 14,2 mil a uma empresa por “serviços de assessoria legislativa”. O fotógrafo que trabalhou na posse dele também recebeu seu pagamento via cotão: R$ 2,2 mil.

Quem é Chiquinho Feitosa?

Em 3 de novembro, Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, conhecido como Chiquinho Feitosa, assumiu uma vaga no Senado, no lugar de Tasso Jereissati (PSDB-CE), que se licenciou por quatro meses do cargo para, segundo alegou à época, trabalhar na campanha de Eduardo Leite para as prévias do PSDB.

Chiquinho tem 57 anos e é um bem-sucedido empresário dos ramos de transporte coletivo e agronegócio no Ceará. Em 2014, quando, filiado ao DEM, foi eleito primeiro-suplente na chapa de Jereissati, declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio de R$ 5,6 milhões, incluindo participações em empresas e cabeças de gado e ovelhas.

Mesmo com a pandemia, sua posse foi um acontecimento, a ponto de Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, dizer, no dia, que aquela era uma das cerimônias mais concorridas da história da Casa, com a presença de lideranças políticas e empresariais do país inteiro. Estiveram presentes, por exemplo, o ex-presidente do Senado Mauro Benevides, o presidente do STJ, Humberto Martins, e Gilmar Mendes, do STF, de quem é cunhado — Feitosa é irmão da esposa do ministro, Guiomar Mendes.

Chiquinho conhece bem como funciona Brasília: foi deputado federal entre 1999 e 2003 e nunca deixou romper os laços com o poder. Uma de suas sobrinhas é casada com o deputado federal Domingos Neto (PSD-CE), que foi o relator-geral do orçamento de 2021, em meio ao esquema das emendas de relator.

Em 2013, Gilmar e Guiomar foram padrinhos do casamento, com direito a festa no Copacabana Palace, do filho e herdeiro de Chiquinho com a filha de Jacob Barata Filho, conhecido com o “rei do ônibus”. Quatro anos depois, em três ocasiões, Gilmar mandaria soltar Jacob, que havia sido preso no âmbito de desdobramentos da Lava Jato do Rio. Na época, por meio de sua assessoria, o ministro disse que não via razão para se declarar suspeito, porque “o casamento não durou nem seis meses”. Na última terça-feira, como noticiamos, a Segunda Turma do STF arquivou denúncia de evasão de divisas envolvendo Jacob — o relator do caso foi o próprio ministro Gilmar, cujo posicionamento acabou sendo acompanhado por Ricardo Lewandowski e Kassio Nunes Marques.

Leia também na Crusoé, que já havia alertado para a gastança do senador com o cotão: Senador há 34 dias, cunhado de Gilmar usa dinheiro público para bancar refeições de R$ 1,4 mil

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