Crusoé: Vorcaro dá a entender que pretendia delatar diretor-geral da PF
Em depoimento, ex-banqueiro aponta "ausência de interesse" em escutar sua colaboração
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro sinalizou, em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que pretendia delatar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
Na oitiva, realizada em 28 de agosto, o dono do Banco Master deu a entender que teria sido impedido por Andrei de avançar com uma proposta de colaboração premiada.
“E aí, depois, os delegados que estão fazendo a colaboração, que estão escutando o que eu tenho para falar, não quiseram escutar, não quiseram fazer. Então, a pedido dele, só para completar, que eu falei de um modo muito genérico, mas o meu receio maior também é sobre isso, e acho que vocês vão de convir comigo o motivo pelo qual eu tenho bastante receio, mas esse exemplo de situações que aconteceram de modo pretérito, anterior à operação, são, também, das causas que me fazem acreditar que as intimidações ou a ausência de interesse em escutar a minha colaboração”, afirma Vorcaro.
Eis o trecho do depoimento:
DEPOENTE ‐ Assim, eu estou… como eu disse, eu estava querendo falar de um modo mais genérico aqui, para não enfrentar os temas. O advogado pontuou aqui, e eu posso, efetivamente [ininteligível], eu vou dar um exemplo de situações que aconteceram, como, por exemplo, o próprio diretor‐geral, o Andrei, que viajou para eventos comigo, com namorada, teve ingressos, teve uma relação pretérita a esse caso, especificamente. E aí, depois, os delegados que estão fazendo a colaboração, que estão escutando o que eu tenho para falar, não quiseram escutar, não quiseram fazer. Então, a pedido dele, só para completar, que eu falei de um modo muito genérico, mas o meu receio maior também é sobre isso, e acho que vocês vão de convir comigo o motivo pelo qual eu tenho bastante receio, mas esse exemplo de situações que aconteceram de modo pretérito, anterior à operação, são, também, das causas que me fazem acreditar que as intimidações ou a ausência de interesse em escutar a minha colaboração quando [ininteligível].
JUIZ ‐ O senhor falou um pouco baixo, só para ver se eu entendi, o senhor está se referindo ao Diretor‐Geral da Polícia Federal o Doutor Delegado Andrei Rodrigues?
DEPOENTE ‐ Isso, isso.
(…)
MINISTÉRIO PÚBLICO ‐ Obrigado, Excelência, bom dia a todos, bom dia, senhor Daniel, tudo bem? São pequenas perguntas de ajuste. O senhor mencionou a relação com o senhor Andrei, mencionou também o interesse e a construção de proposta de acordo de colaboração. Essa relação com o senhor, esses eventos de relação que o senhor mencionou com ele, algum fato, ele passa também pelos fatos que o senhor pretendia narrar nessa colaboração?
DEPOENTE ‐ Sim, porque…
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