Crusoé: Retração no STF?
Ministro mais discreto do STF, Fachin assume a presidência do Supremo no momento de maior protagonismo político do tribunal
O Supremo Tribunal Federal (STF) passa pelo momento de maior protagonismo politico de sua história.
Dois anos após sua sede ter sido invadida e depredada por manifestantes insatisfeitos com o resultado da eleição presidencial de 2022, seus ministros condenaram a 27 anos e três meses de prisão o ex-presidente Jair Bolsonaro, considerado o líder de uma organização que tentou dar um golpe de Estado.
A condenação de Bolsonaro e de seus aliados mais próximos é encarada pelo tribunal como uma oportunidade para virar a página, como descreveu Luís Roberto Barroso, que termina seu período de dois anos como presidente do STF neste mês.
O quanto a página será virada deve depender, aliás, do substituto de Barroso, coincidentemente o ministro mais discreto de um tribunal que se acostumou às câmeras e aos holofotes.
Luiz Edson Fachin assume a Presidência do STF em 29 de setembro, pouco mais de 10 anos após chegar ao tribunal, sob indicação de Dilma Rousseff.
A expectativa é de que sua gestão seja semelhante à da ministra aposentada Rosa Weber: discreta e sem alardes. E é exatamente isso o que o STF mais precisa neste momento.
Vocal demais
Apesar de, publicamente, a gestão de Barroso ser considerada importante para o tribunal, por causa de sua defesa contundente de uma instituição que se sente atacada frontalmente desde 2019 — e que foi atacada literalmente em 8 de janeiro de 2023 —, internamente o ministro é visto como vocal demais.
A disposição de Barroso para falar fora dos autos, fazer gestos públicos e participar de eventos levou a Corte para o centro de várias polêmicas consideradas desnecessárias.
O presidente do STF participou da última sessão de julgamento da ação penal do golpe, que ocorreu na Primeira Turma do tribunal, composta por apenas cinco ministros.
Sua presença na sala do edifício conhecido como Igrejinha foi tida como uma manifestação de apoio a alguns colegas no dia em que foi proferida a sentença de Bolsonaro. A cena foi considerada desnecessária por alguns integrantes do STF. E o ministro não se contentou simplesmente em aparecer, como fez o decano Gilmar Mendes, mas também discursou.
Barroso também causou ruído ao contratar uma empresa de brindes para confeccionar gravatas e lenços com a logo do STF.
Não foi a primeira vez que a Corte encomendou a confecção de brindes, mas…
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