Crusoé: Por que Lula insiste com Messias
Presidente não quer parecer fraco e aposta na campanha de que o Congresso é "o inimigo do povo" para as eleições
O presidente Lula disse a aliados que vai reenviar ao Senado a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias (foto), para o Supremo Tribunal Federal (STF).
A nova indicação deve ocorrer antes das eleições de outubro.
No dia 29 de abril, a indicação de Lula foi rejeitada por 42 votos a 34.
Foi a primeira indicação de presidente recusada em 134 anos de República.
Lula parece ter ficado encorajado com o fato de Messias ter sido bastante aplaudido na cerimônia de posse de Kassio Nunes Marques na presidência do (Tribunal Superior Eleitoral).
Regimento interno
De acordo com o regimento interno, o Senado não pode apreciar na mesma “sessão legislativa“, uma indicação já rejeitada pela Casa.
Como “sessão legislativa“, entende-se o ano de trabalho no Congresso.
A próxima, portanto, só começa no ano que vem.
Para Lula conseguir indicar Messias e ter a chance de o pedido ser analisado pelo Senado, ele teria de se reeleger e aguardar até 1º de fevereiro, quando tem início o novo ano legislativo.
A norma está no Ato da Mesa nº 1, de 2010.
O artigo 5º é sucinto: “É vedada a apreciação, na mesma sessão legislativa, de indicação de autoridade rejeitada pelo Senado Federal”.
Eleições
Uma hipótese para explicar a insistência do petista é eleitoral.
Lula pode estar querendo demonstrar força, após ter tido o seu maior revés político no Congresso.
Ao se mostrar como teimoso e decidido, Lula busca ocultar a derrota acachapante que sofreu.
Seus eleitores, assim, não o veriam mais como alguém fraco e sem capacidade de obter o que deseja do Congresso.
A nova indicação, então, se juntaria a outras tantas medidas do governo Lula para melhorar sua aprovação nas pesquisas, como a reunião com o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca e o programa Desenrola 2.0.
Lula também pode estar querendo ampliar os atritos com o Congresso, sabendo que a população rejeita…
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Comentários (1)
Contando com a fraqueza moral de parte do Senado...