Crusoé: Os amigos de Trump
Ascensão do republicano municia a direita brasileira no campo de batalhas simbólico
Eram 7h25 da manhã de quarta-feira, quando o ex-ministro-chefe da Casa Civil Ciro Nogueira (PP-PI), político que nos últimos anos se revelou um bolsonarista de carteirinha, soltou a seguinte mensagem na rede social X, o antigo Twitter:
“A posse de Trump é um farol da maior democracia do mundo que ilumina o continente americano e o Brasil. Hoje começa uma nova volta no relógio da política brasileira”, disse ele.
De fato, a posse de Trump marca uma mudança substancial na correção de forças políticas tanto nos Estados Unidos, quanto em outros países – inclusive no Brasil.
Mas, em terras tupiniquins, o que tem se propalado por integrantes do bolsonarismo nos últimos dias é que o presidente republicano vai minar os poderes de Alexandre de Moraes, do STF.
Em uma canetada mágica, Trump ainda seria capaz de reabilitar politicamente o ex-presidente Jair Bolsonaro a disputar as próximas eleições.
Bolsonaro, como é público e notório, está inelegível por um período de oito anos, após sua condenação por abuso de poder político e econômico em duas ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo integrantes do PL e de partidos do Centrão, o governo Trump pode mudar alguns rumos da política no Brasil.
Mas isso não significa, necessariamente, uma reedição do filme de 2018; muito menos uma aliança global em prol de uma eventual candidatura de Jair Bolsonaro nas próximas eleições.
Em 2016, Trump teve uma eleição surpreendente e, aqui no Brasil, Bolsonaro foi eleito dois anos depois de forma igualmente inesperada.
A questão é que os tempos são outros; as circunstâncias, idem.
Os aliados de Jair Bolsonaro admitem isso. Em 2018, Bolsonaro era subestimado pelos seus pares. hoje, é temido. Em 2018, Bolsonaro estava elegível. Agora, não.
Na prática, a ascensão de Donald Trump entrega para a direita um discurso mais contundente o que, obviamente, municia a oposição no campo de batalhas simbólico.
Assim, temas como a defesa da liberdade de expressão e das liberdades individuais, as críticas ao aborto, a luta contra os exageros da cultura woke…
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