Crusoé: Briga de comadres
Motta e Alcolumbre se distanciam do Planalto em jogo duplo de olho em 26
Assim que os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foram eleitos em fevereiro deste ano, Lula não demorou em publicar uma imagem para (ao menos) tentar transparecer aos quatro cantos desse país que, naquele instante, se restabeleceria a harmonia entre Executivo e Legislativo.
O ano passou e o que se viu foi um Senado mais alinhado ao governo e Motta, com seu jeito trôpego de ser, auxiliando aqui e ali alguma pauta petista.
A reforma do Imposto de Renda foi um exemplo. Principal bandeira de Lula em 2025, o projeto só saiu do papel porque Arthur Lira atuou como um verdadeiro ministro de Relações Institucionais. Lira foi mais decisivo que a atual detentora do cargo, Gleisi Hoffmann.
Entre agosto, setembro, outubro e meados de novembro, Motta e Alcolumbre já vinham reclamando a integrantes da base governista que o Palácio do Planalto estava atrasando o pagamento de emendas e ignorando solenemente as relações com o Legislativo. Ambos, no entanto, acreditavam que o cenário poderia mudar.
Mas o cenário não mudou e o clima azedou de vez.
Alcolumbre se sentiu traído com a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Hugo Motta, pasmem, parou de responder mensagens do líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, e da ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
Pior: Motta agora pretende pautar – e aprovar – a anistia a Jair Bolsonaro como retaliação ao governo federal. A ideia, por óbvio, é achar um texto que não irrite os integrantes da Suprema Corte.
Eleição de 2026
Por trás dessa confusão pública estão não somente interesses pessoais de Alcolumbre e Motta, como um aperitivo da disputa de 2026.
Nem o grupo de Motta, nem o grupo de Alcolumbre acreditam que Lula seja competitivo no ano que vem. Por essa razão, o apoio desses dois personagens ao petista tende a ficar cada vez mais caro quanto mais se aproxima da eleição do ano que vem.
Na quarta, 26, o presidente Lula sancionou o projeto de lei que aumenta a faixa de isenção do Imposto de Renda. Motta e Alcolumbre não compareceram à solenidade.
Como dois adolescentes, eles combinaram que não iriam participar da foto que Lula queria: novamente, uma imagem que simbolizasse a união entre os poderes. Dessa vez, o presidente ficou só; isolado. Como de fato ele está neste momento.
Alcolumbre ficou irritado pelo fato de saber apenas pela imprensa da indicação de Jorge Messias para o STF.
Ele era padrinho da candidatura de Rodrigo Pacheco…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)