Crusoé: Ana Paula Valadão Bessa e as verdades incômodas sobre o Irã
Cantora evangélica foi alvo de difamação online por se posicionar a favor dos cristãos perseguidos pelo regime iraniano
O Irã é o décimo país que mais persegue cristãos no mundo, segundo a classificação anual da Missão Portas Abertas, e um dos mais hostis ao cristianismo, de acordo com a Ajuda à Igreja que Sofre, organização católica reconhecida pelo Vaticano e que atua na promoção da liberdade religiosa.
As violações aos direitos humanos dos cristãos no país persa são tão graves que são reconhecidas até mesmo por várias ONGs de direitos humanos não religiosas, como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional.
No país persa, ser pego com uma Bíblia pode ocasionar anos de prisão, e deixar o islã para se converter ao cristianismo pode ser punido com morte.
Esse é o caso, por exemplo, de um atleta iraniano ex-muçulmano que buscou refúgio no Brasil e com quem me encontrei semanas atrás na Avenida Paulista, em uma manifestação contra o regime.
Na ocasião, antes dos últimos ataques realizados por Israel e pelos EUA, os aiatolás já haviam matado mais de 40 mil civis que protestavam pacificamente.
Não é surpreendente, portanto, que muitos cristãos iranianos tenham celebrado, ainda que com cautela e temor, as notícias da morte do Líder Supremo do Irã Aiatolá Ali Khamenei. Afinal, ele foi responsável direto pelo sofrimento dessas pessoas.
Ainda assim, quando a cantora evangélica Ana Paula Valadão Bessa usou suas redes sociais para chamar atenção para esse fato, pedindo oração pelos cristãos do Irã, não demorou para que suas palavras fossem tiradas de contexto e ela fosse alvo de mais uma campanha de linchamento virtual. Afirmaram que ela estava comemorando a morte de civis.
A base para essa acusação foi a notícia de um suposto ataque a uma escola iraniana, que teria matado centenas de meninas. Notícia essa que foi divulgada apenas pelo próprio regime do Irã e que, até o momento, não pôde ser investigada de modo independente por jornalistas.
E vale lembrar que estamos nos referindo a um regime que, desde o fim de dezembro, já massacrou mais de 40 mil civis diante da inércia do mundo. Realidade essa para a qual a cantora vinha chamando atenção há bastante tempo.
Novas investigações divulgadas por jornais americanos, uma semana após os vídeos postados pela Ana Paula, tendem a sugerir que a autoria do ataque tenha sido dos EUA. Ainda assim, na hora em que postou seu pronunciamento, a cantora sequer sabia da notícia sobre a escola e o que celebrou foi justamente a precisão dos ataques israelenses que, ao alvejar alvos militares iranianos, buscava proteger civis.
Ela até deixa claro no vídeo que não é preciso gostar de Israel para reconhecer esse fato. Sua fala dizia respeito apenas à morte de Khamenei e ao alívio sentido pelos cristãos iranianos que, durante anos, haviam sido oprimidos por ele, mas agora sentiam um pouco de esperança quanto ao futuro.
Apesar disso…
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