Crusoé: A severenização de Hugo Motta
Em menos de um ano, o presidente da Câmara encolhe ao tentar o impossível: agradar o PT e o PL
Pela primeira vez desde que se estabeleceram regras para a reeleição na Presidência da Câmara, o atual detentor da cadeira corre o risco de não conseguir ficar quatro anos no cargo.
Na realidade, a penúria de Hugo Motta (Republicanos) junto a seu pares é tanta que petistas e bolsonaristas chegaram a avaliar até mesmo uma saída traumática para a função na retomada das atividades parlamentares, em fevereiro do próximo ano.
Seria algo inédito: nunca na história recente da democracia brasileira um presidente da Câmara foi defenestrado do cargo por incompetência ou por simplesmente não conseguir controlar seus comandados.
Para a sorte de Motta, o recesso parlamentar chegou antes que o plano ganhasse força.
Hugo Motta foi eleito em fevereiro deste ano em primeiro turno com 444 votos. Ele concorreu com os deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS), que obteve 31 votos, e Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ), que teve 22 votos. Outros dois votos foram em branco.
Motta foi apoiado por um bloco formado por 17 partidos e 494 deputados. Integram o bloco PL, PT, PCdoB, PV, União, PP, Republicanos, PSD, MDB, PDT, PSDB, Cidadania, PSB, Podemos, Avante, Solidariedade e PRD.
A solução Motta foi uma construção política de uma raposa chamada Arthur Lira (PP-AL), que atuou para comandar sua própria sucessão.
Ao gastar muita saliva, Lira conseguiu desarmar um princípio de implosão do blocão, que poderia ter duas candidaturas avulsas: a de Elmar Nascimento, pelo União; e de Antônio Brito, pelo PSD.
Lira fez seu sucessor, mas, para isso, Motta cometeu um erro crasso, típico de candidato a vereador de cidade pequena — prometer algo que ele mesmo sabia que não poderia cumprir.
Em política, para os políticos, palavra é lei. E descumprimento de palavra é crime possível de pena de morte. Pena de morte política.
Ao tentar obter tanto os votos de petistas quanto de bolsonaristas (as duas maiores bancadas da Casa), Motta prometeu trabalhar pela aprovação de um pacote fiscal do PT…
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