Criador do perfil “Dona Maria” nega ser bolsonarista
Conta com avatar de IA que critica Lula é alvo de ação do PT e outros partidos
O motorista de aplicativo Daniel Cristiano dos Santos, responsável pelo perfil “Dona Maria” nas redes sociais, disse não ser apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A conta, que utiliza um avatar criado por inteligência artificial para representar uma senhora crítica ao presidente Lula (PT), ao Partido dos Trabalhadores e a figuras de esquerda, está no centro de uma ação da federação formada por PT, PV e PC do B, que pede à Justiça Eleitoral sua suspensão nas plataformas digitais.
Santos afirmou que chegou a apoiar Bolsonaro em 2018, mas que hoje não se identifica como bolsonarista.
“Não me considero bolsonarista. Apoiei o Jair Bolsonaro na eleição de 2018, mas houve momentos em que não concordei com suas atitudes. Vejo até outros políticos da direita que acredito que seriam melhores, como o prefeito de Cuiabá Abilio Brunini, mas no cenário polarizado, como um segundo turno entre Lula e Flávio, faço até campanha para o filho do Bolsonaro”, afirmou o motorista.
O criador do perfil afirmou que a conta é monetizada, mas que a renda média gira em torno de R$ 1.500 por mês.
Um dos vídeos publicados chegou a 22 milhões de visualizações no Instagram antes de ser removido por excesso de palavrões. As legendas e a estratégia de conteúdo, segundo ele, foram sendo ajustadas ao longo do tempo para ampliar o alcance.
Partidos acionam TSE
O Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Verde (PV) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) protocolaram na quarta-feira, 22, uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a suspensão e a indisponibilização dos perfis “Dona Maria” no Instagram, TikTok, Facebook, YouTube, e X.
A biografia e uma publicação fixada no topo da página no Instagram diz que se trata de uma personagem criada por IA.
Mas, na representação, os partidos argumentam que os perfis são facilmente confundidos com “uma pessoa real”.
“É um perfil voltado a propagar desinformação contra o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, falar mal do Supremo Tribunal Federal, sobretudo de seus ministros, além de se manter elogioso a Jair Bolsonaro e a seus apoiadores”, disseram.
“Se trata de clara ferramenta de propaganda política, utilizada consciente e deliberadamente por determinada pessoa desconhecida para, sob o anonimato, publicar inverdades, descontextualizações, praticar crimes contra a honra, ao tempo que se mostra elogiosa com determinadas figuras políticas de outro espectro político.”
A representação elenca exemplos de desinformação e má-fé por parte dos perfis, como dados falsos sobre o Pix, frases deturpadas de Lula e publicações específicas que têm como alvo o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência.
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