Credenciais de dois agentes do Pará foram usadas em alerta falso
Mensagens enviadas para vários estados reforçam suspeita de invasão da plataforma da Defesa Civil
A Polícia Federal investiga o envio de alertas falsos da Defesa Civil que atingiram milhões de celulares na noite de sexta-feira, 19, e na madrugada de sábado, 20.
Documentos encaminhados pelo governo federal aos investigadores apontam que credenciais de dois agentes da Defesa Civil do Pará foram usadas para disparar mensagens indevidas a moradores de diferentes estados, diz a Folha.
Os alertas chegaram a celulares de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Rio Branco, além de municípios de outras regiões do país.
As mensagens continham expressões sem relação com protocolos de emergência, como “misantropia”, “misantropi4” e até referências a “ataque alienígena”.
Suspeita de invasão
Segundo a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, um dos fatores que reforçam a hipótese de invasão é o fato de as credenciais utilizadas terem autorização para operar apenas no Pará, mas terem sido usadas para emitir alertas em outras unidades da federação.
“Assim, além do possível uso indevido de credenciais, há indício de que o agente conseguiu operar a plataforma sem a devida restrição territorial, emitindo ou tentando emitir alertas para áreas nas quais os usuários não deveriam possuir permissão de envio”, informou o órgão em documento enviado à PF.
Os registros mostram que os primeiros disparos ocorreram por volta das 23h40 de sexta-feira. Em seguida, novas mensagens foram enviadas entre 1h20 e 1h23 da madrugada de sábado utilizando outra credencial vinculada à Defesa Civil paraense.
Em Belo Horizonte, o alerta foi transmitido por SMS com a mensagem “Defesa Civil: ATAQUEALIENIGENA,HUMANOSCHEGAMOSmisantropo”.
Todas as notificações foram classificadas como de nível extremo, categoria reservada para situações que exigem ação imediata da população. Os alertas falsos ainda foram associados a eventos como alagamentos, tornados e deslizamentos.
A Defesa Civil bloqueou as credenciais identificadas nos disparos e retirou a plataforma do ar durante a madrugada.
O caso também foi comunicado ao Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos do Governo Federal (CTIR Gov).
O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, afirmou que a principal suspeita é de ataque hacker.
“Tudo indica que não é uma pessoa do sistema de proteção e Defesa Civil, cadastrada e com possibilidade de acesso regular. Tudo leva a crer que foi um ataque hacker, crime cibernético”, disse.
Segundo ele, o número exato de celulares atingidos ainda é desconhecido, mas “com certeza, milhões de pessoas foram alertadas”.
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