CPMI do INSS apura envio de R$ 52 milhões do Grupo J&F a lobista investigado
Relator vê indícios de favorecimento ao PicPay e aponta coincidência entre repasses e criação do programa Meu INSS Vale+
A CPMI do INSS investiga o repasse de R$ 55,7 milhões de uma conta bancária do grupo J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, para empresas ligadas a Danilo Trento, lobista investigado por supostos desvios de aposentadorias por meio de descontos associativos.
Segundo dados identificados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), os envios do montante foram feitos em cinco transações entre dezembro de 2024 e abril de 2024, período em que programa Meu INSS Vale+ esteve em atividade.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, suspeita que Trento atuou para aproximar representantes do banco PicPay à alta cúpula do INSS na criação do programa.
Os irmãos Joesley e Wesley são donos do banco digital.
“Chama atenção, ainda, a coincidência de datas entre os repasses e o surgimento do programa Meu INSS Vale+, aparentemente estruturado sob medida para o PicPay, com instruções normativas assinadas por Stefanutto, então presidente do INSS”, afirmou Gaspar.
À época, o instituto era comandado por Alessandro Stefanutto, preso em novembro do ano passado pela Polícia Federal.
Meu INSS Vale+
O programa permitia à Instituto Nacional do Seguro Social antecipar parte de benefícios e auxílios permanentes para cobrir despesas emergenciais de aposentados e pensionistas.
Lançada em dezembro de 2024, a iniciativa foi suspensa em maio de 2025 após cobranças de taxas e juros consideradas irregulares.
Segundo o INSS, mais de 341 mil pessoas aderiram ao programa, que movimentou mais de R$ 252 milhões no período. Desse total, o Portal da Transparência indica que R$ 110,5 milhões foram pagos ao PicPay.
Em nota oficial, o grupo J&F afirmou:
“As empresas mencionadas foram contratadas para prestar serviços de estudos de mercado e prospecção de clientes. O departamento de Compliance determinou a rescisão dos contratos assim que vieram a público as menções ao ex-sócio das empresas na CPMI do INSS. Uma investigação interna independente foi conduzida e não identificou qualquer irregularidade. Os serviços foram devidamente prestados e os pagamentos foram realizados conforme a legislação, por meio da emissão de notas fiscais e com o recolhimento dos respectivos tributos”
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