CPI do Crime Organizado avança sobre caso Master e inclui irmãos de Toffoli
Presidente da CPI do Crime Organizado marca votação para 24 de fevereiro e afirma que “ninguém será blindado”
O senador Fabiano Contarato (PT-ES), presidente da CPI do Crime Organizado, apresentou nesta quinta-feira (12) requerimentos para ampliar a investigação sobre a gestora Reag Investimentos, ligada ao Banco Master, diante de suspeitas de irregularidades no sistema financeiro e possíveis conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os pedidos incluem a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da Reag e do fundador João Carlos Mansur. O senador também solicitou a convocação de Mansur para prestar depoimento à comissão e requereu ao Banco Central o envio integral do processo administrativo que resultou na liquidação extrajudicial do Banco Master.
Contarato informou que os requerimentos serão votados na próxima reunião da CPI, marcada para 24 de fevereiro. Segundo ele, outros pedidos relacionados ao caso Master também estarão na pauta, inclusive aqueles que envolvem José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.
“A CPI do Crime Organizado cumpre uma função constitucional de investigar e fiscalizar a atuação de organizações criminosas que se utilizam do sistema financeiro nacional. Não podemos nos omitir diante desse escândalo. O compromisso da CPI é com a Constituição e o interesse público. Ninguém será blindado, não importa o cargo ou a hierarquia”, afirmou.
Nos requerimentos, Contarato cita investigações conduzidas por órgãos de controle e pela Polícia Federal que mencionam a Reag. A gestora foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apurou fraudes bilionárias no setor de combustíveis com suposta participação de integrantes do PCC. Já na Operação Compliance Zero, a Polícia Federal apontou indícios de utilização de estruturas vinculadas à gestora em apurações sobre desvio de recursos do Banco Master, em esquema estimado em mais de R$ 12 bilhões.
O senador sustenta que a menção da empresa em investigações sobre lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial impõe à CPI o dever de aprofundar a apuração. Para ele, a convocação do fundador da gestora pode contribuir para esclarecer o funcionamento das estruturas utilizadas nas operações investigadas.
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