Cotado para a Fazenda, Rafael Fonteles nega conversa com Lula sobre cargo
Governador do Piauí ganhou espaço na campanha pela reeleição do presidente e é citado nas articulações para o próximo governo
O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), ganhou força nos bastidores para assumir o Ministério da Fazenda no próximo mandato de Lula (PT), após atuar na linha de frente da campanha presidencial. Nesta segunda-feira, 26, porém, o petista afirmou que nunca conversou com o presidente sobre a possibilidade e disse que não pensa em deixar o governo estadual para integrar a equipe econômica.
“Qualquer menção positiva ao nosso nome, a gente agradece, mas eu nunca tratei com o presidente da República sobre qualquer cargo, um eventual mandato dele, antes da eleição ou depois da eleição”, declarou Fonteles, segundo a Agência Estado.
A possibilidade de assumir a Fazenda passou a ser discutida após a vitória de Lula no segundo turno. De acordo com relatos publicados pela imprensa, aliados do presidente veem no governador um nome com experiência técnica em gestão fiscal e trânsito político para ocupar uma das principais pastas do Executivo federal. Fonteles, no entanto, afirmou que sua aproximação com Lula se intensificou durante a segunda etapa da disputa e que a ida para o ministério não está em seus planos.
De aliado no Piauí a homem de confiança na campanha
A relação política entre Fonteles e Lula antecede a eleição presidencial de 2026. Em 2022, quando disputou pela primeira vez o governo do Piauí, o petista recebeu apoio público do então presidente eleito. Durante um ato de campanha em Teresina, Lula declarou que o candidato era sua “esperança no Piauí” e afirmou que ele cuidaria da população do estado.
Fonteles também vinculou sua candidatura ao projeto nacional do PT. Na ocasião, disse que o Piauí poderia ajudar Lula a voltar à Presidência. O apoio do petista teve peso na campanha estadual, que terminou com a eleição de Fonteles para o governo.
Neste ano, o governador ampliou sua participação na campanha presidencial durante o segundo turno, depois de Lula terminar a primeira etapa da disputa atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Fonteles passou a colaborar com a comunicação da campanha, em articulação com o deputado André Janones (Avante), que atuou na mobilização digital do presidente.
Entre as iniciativas, Fonteles entregou um celular a Lula para estimular a participação do presidente no chamado “Exército de Lula”, canal de engajamento no WhatsApp. O governador também esteve entre os aliados que acompanharam de perto a estratégia eleitoral petista na reta final da disputa.
A atuação reforçou sua projeção nacional e o aproximou do núcleo de confiança do presidente. O senador Camilo Santana (PT-CE), que também ganhou destaque na campanha, é citado nos bastidores como possível nome para a Casa Civil.
Experiência na área econômica
A eventual escolha de Fonteles para a Fazenda é associada à sua trajetória na administração pública. Formado em matemática e mestre em economia matemática, ele comandou a Secretaria da Fazenda do Piauí entre 2015 e 2022, durante o governo de Wellington Dias (PT), e presidiu o comitê que reúne os secretários estaduais da área.
A experiência com as contas públicas é apontada por aliados como um dos fatores que o colocam entre os nomes considerados para a equipe econômica. A possível nomeação, contudo, exigiria que Fonteles deixasse o governo piauiense, para o qual foi reeleito no primeiro turno, em 4 de outubro, com 70,90% dos votos válidos.
O vice-governador Washington Bandeira (PT) é apontado como aliado de confiança de Fonteles e assumiria o comando do estado em caso de vacância. Apesar das especulações sobre a composição do próximo ministério, Lula ainda não anunciou quem comandará a Fazenda a partir de janeiro de 2027.
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