Correios enfrentam “problemas graves e estruturais”, diz Durigan
Governo compensa R$ 3 bi no orçamento de 2025 ante a deterioração financeira da estatal; plano de reestruturação prevê empréstimo
A grave situação econômica dos Correios elevou as projeções de prejuízo das estatais, forçando o governo a efetuar uma compensação de R$ 3 bilhões no Orçamento da União para 2025. A equipe econômica elevou o deficit projetado para as empresas públicas de R$ 5,504 bilhões para R$ 9,208 bilhões, com a empresa postal sendo a principal causa desse aumento.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu que a empresa enfrenta “problemas graves e estruturais”. O impacto negativo do resultado dos Correios causou reflexos no balanço trimestral do governo.
O aumento do prejuízo, maior do que o inicialmente previsto, levou à necessidade de equilibrar o Orçamento Fiscal e da Seguridade Social. O objetivo da compensação é manter “um resultado central em linha com o que a gente prometeu e espera”.
Ajuda do governo e repercussões financeiras
Durigan indicou que, não fosse o desempenho insatisfatório dos Correios, o cenário fiscal poderia ter sido mais favorável. Ele afirmou que o mau desempenho da companhia é o que “de fato, causa aqui um impacto negativo nesse resultado trimestral”.
A preocupação se estende para o futuro: o secretário alertou que o reflexo financeiro dos problemas da estatal poderá se intensificar em 2026, superando o impacto verificado em 2025. A equipe da Fazenda aguarda a formalização do plano de recuperação para avaliar o cenário.
“Eu não tenho o número fechado, nós vamos ter que nos debruçar em cima do plano assim que apresentado pelos Correios; mas a gente tem, sim, uma situação grave que demanda atenção”, admitiu o secretário.
No contexto do Relatório Bimestral de Avaliação, o resultado das estatais neutralizou o espaço fiscal obtido com a revisão de gastos. O relatório acabou por registrar um equilíbrio, com pontos positivos sendo anulados por pontos negativos.
Plano de reestruturação depende de empréstimo
Em um movimento para tentar reverter o quadro, os Correios aprovaram, no dia 21, uma proposta de reestruturação abrangente. O documento prevê alienação de imóveis, fusões de setores e a captação de um empréstimo significativo.
O montante requerido para essa operação de crédito atinge R$ 20 bilhões, a ser negociado com instituições financeiras públicas e privadas. Para viabilizar a transação, o Tesouro Nacional deverá conceder um aval, conforme noticiado pelo Estadão.
A garantia solicitada ao Tesouro é superior a qualquer outra concedida pela União a estatais, municípios ou estados nos últimos 15 anos. O governo não discute, neste momento, um aporte direto de capital, mas sim uma operação de crédito.
Para que o aval seja concedido, o plano de reestruturação deve ser considerado sólido, bem elaborado e “em ordem”. Durigan afirmou ter solicitado ao novo presidente da empresa, Emmanoel Schmidt Rondon, a elaboração de um planejamento ambicioso, mas cauteloso.
A intenção é assegurar “que se pague e possa melhorar a situação dos Correios”. O plano está atualmente em análise pela governança da empresa.
Durigan sintetizou o balanço fiscal: “Diria que nós estamos aqui com 0 a 0 neste relatório bimestral, não tem abertura de espaço fiscal. Pontos positivos com revisão de gastos acabam anulando pontos negativos com o resultado das estatais”.
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Comentários (2)
Ita
25.11.2025 10:38Essa estatal deveria ter sido vendia no governo anterior, não foi, veio o *ula e a esquerdalha para o governo e olha aí o que temos. Reestruturação? hum! só aumentar o rombo. Temos que aguardar a nova administração em 2026 para tentar resolver essa bagunça.
MARCOS
24.11.2025 20:25É MUITO ROUBO PARA POUCA CARTA. FECHA ESSA PORRA LOGO OU O ROUBO VAI SER MAIOR.