COP30: “Querem nos amontoar como animais”, reclama dirigente de ONG
A indiana Rachitaa Gupta, líder de uma das ONGs ambientais mais importantes do Sul Global, criticou veementemente a organização do evento
A logística das hospedagens durante as COPs não é um tema novo, mas neste ano, particularmente, as dificuldades enfrentadas chamam a atenção.
O evento em Belém apresenta desafios logísticos sem precedentes, especialmente para grupos do Sul Global. Este ano ainda não foram apresentadas soluções eficazes para os problemas de hospedagem.
A participação da sociedade civil nas COP30 é fundamental, especialmente em um contexto de crise climática. Mas as discussões entre a sociedade civil e a presidência da COP revelam um quadro preocupante.
Desde o início do ano, promessas de resolver as questões de alojamento foram feitas, mas até agora não se concretizaram.
A presidência argumenta que a oferta de hospedagem aumentou com o lançamento de uma plataforma oficial e que está considerando transformar escolas e imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida em opções emergenciais.
A indiana Rachitaa Gupta, líder de uma das ONGs ambientais mais importantes do Sul Global criticou veementemente essa abordagem, asseverando que essas soluções não garantem segurança ou higiene adequadas:
“É simplesmente horrível que a solução padrão pareça ser usar escolas e edifícios abertos para convertê-los em acomodação no estilo dormitório para a sociedade civil, enquanto chamam isso de acessível, o que tem sérias implicações para nós. Não é seguro, não é higiênico. Eles basicamente querem nos amontoar como animais, com cinco ou seis pessoas em um quarto ou dois quartos. E a presidência segue insistindo que é uma solução viável”.
Gupta explicou, em entrevista ao GLOBO, que 80% dos 250 integrantes da DCJ (Campanha para Demandar Justiça Climática) ainda não têm hospedagem confirmada na capital do Pará
Além das questões de acomodação, o custo total para participar da COP também se mostra elevado.
Não houve informações claras sobre transporte, que normalmente é organizado para facilitar o deslocamento dos delegados ao evento. “O que ouvimos foi uma promessa pontual sobre serviços de transporte voltados apenas para acomodações oficiais”, explicou.
Outro fator que complica a logística é a realização da Cúpula dos Povos em paralelo à COP, com expectativa de reunir até 20 mil pessoas em Belém. A presença desses participantes exigirá mais estrutura e serviços adicionais que ainda não foram detalhados pela presidência.
O governador do Pará e o presidente Lula enfatizam que esta será uma COP sem ostentações, ao mesmo tempo que há uma expectativa crescente de promover Belém como um destino turístico.
Rachitaa Gupta reage criticamente a essa visão afirmando que a COP não deve ser tratada como um evento turístico mas como espaço crucial para políticas globais necessárias para enfrentar a emergência climática.
Segundo ela, os esforços devem focar na seriedade das negociações climáticas e não na exploração turística do evento.
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Comentários (1)
Eliane ☆
10.09.2025 16:14Será que eu rio ou choro? Não foi por falta de aviso. Creio que vai piorar.