COP30 começa em Belém sob a sombra da desconfiança
Evento precisa tentar arrefecer a desconfiança do setor privado e até mesmo as contradições internas do governo brasileiro
A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) começa nesta segunda-feira, 10, sob a sobra da desconfiança e obrigada a lidar com a baixa adesão de líderes mundiais no principal evento preparatório, a Cúpula dos Chefes de Estado, realizado na semana passada.
Conforme a lista oficial, participaram 28 chefes de Estado ou de governo; entre os quais, 15 presidentes da República; na COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão, em 2024, o evento contou com a presença de 59 chefes de Estado. Dos quais, 29 presidentes e 30 primeiros-ministros.
Além disso, a COP30 também precisa tentar arrefecer a desconfiança do setor privado e até mesmo as contradições internas do governo brasileiro. Neste final de semana, aproximadamente 1,3 mil representantes do setor privado participaram da Climate Implementation Summit, em São Paulo, um evento paralelo à COP30.
Diante dos custos e problemas de logísticas, boa parte dos empresários resolveu não ir para a conferência do clima de Belém. Como mostramos na semana passada, houve uma reclamação generalizada em relação aos preços abusivos praticados na capital paraense.
O governo Lula também precisa lidar, durante a COP30, com contradições internas do próprio Poder Executivo. Um exemplo é a concessão de autorização para pesquisas Margem Equatorial do Rio Amazonas, um trecho que se estende do litoral do Amapá ao Rio Grande do Norte.
O objetivo é avaliar o potencial de reservas de petróleo, com estimativas que variam entre 6 e 10 bilhões de barris. A medida era criticada por ambientalistas e pela ministra de Meio Ambiente, Marina Silva. No entanto, em entrevista ao jornal O Globo, ela parece ter mudado de ideia.
“Você dificilmente vai encontrar um país que não esteja vivendo desafios e contradições na transição energética. A França investiu muito em energia nuclear, e 60% de sua matriz energética é fóssil. A Europa passou a considerar o gás um combustível de transição. Foi importante o presidente Lula dizer, na cúpula de líderes, que precisamos acabar com a dependência dos combustíveis fósseis”, disse Marina.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou neste domingo, às vésperas da COP30, a construção da Avenida da Liberdade, em Belém, no Pará. A obra, de 13 quilômetros, corta áreas de floresta e comunidades locais e tem gerado polêmica desde o anúncio, em 2020.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou:
“Eles devastaram completamente a Floresta Amazônica no Brasil para construir uma rodovia de quatro faixas para ambientalistas circularem. Virou um grande escândalo!”.
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