COP30: Brasil oferece cabines gratuitas em navios para nações mais pobres
Solução emergencial foi apresentada após queixas de países africanos e de ilhas do Pacífico
A poucos dias do início da COP30, dezenas de países ainda não garantiram hospedagem para suas delegações em Belém, no Pará. O governo brasileiro tenta contornar a crise oferecendo cabines gratuitas em navios de cruzeiro para nações mais pobres, em uma medida emergencial para assegurar maior participação.
A conferência climática das Nações Unidas será realizada entre 10 e 21 de novembro e deve reunir cerca de 50 mil delegados.
O desafio logístico, no entanto, preocupa desde o início da preparação: Belém dispõe de apenas 18 mil leitos de hotel, número insuficiente para comportar o evento. A demanda fez as diárias saltarem para valores acima de US$ 500 em alguns estabelecimentos.
Até o fim de outubro, 149 países haviam confirmado hospedagem, enquanto outros 37 ainda buscavam acomodação, segundo dados do governo federal.
O Brasil prometeu garantir que todas as nações, especialmente as mais vulneráveis aos efeitos climáticos, tenham representação ativa nas negociações.
Navios e doadores privados
Um e-mail vazado, obtido pela agência Reuters, revelou que o governo brasileiro, em parceria com o secretariado climático da ONU (UNFCCC) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ofereceu cabines gratuitas a delegações de países de baixa renda.
O documento menciona o financiamento de “doadores privados” e do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe.
“Essas cabines serão oferecidas gratuitamente à sua delegação”, diz a mensagem.
A solução emergencial foi apresentada após queixas de países africanos e ilhas do Pacífico, que alertaram a ONU sobre o risco de não participarem por falta de recursos.
Mesmo após subsídios concedidos pela organização e pelo governo brasileiro, muitos relataram dificuldade para arcar com os custos de hospedagem.
Lula inaugura obras
O presidente Lula participou neste sábado, 1º, da inauguração do Terminal Portuário de Outeiro, reformado para receber dois transatlânticos destinados à hospedagem de delegações estrangeiras.
A obra, parte dos preparativos para o evento, mobilizou mais de R$ 400 milhões em investimentos.
O aeroporto da cidade também foi ampliado para suportar o aumento do tráfego nacional e internacional.
Trump não envia representantes
Apesar dos esforços, a ausência de algumas lideranças internacionais já está confirmada.
Os Estados Unidos não enviarão representantes de alto escalão à Cúpula dos Líderes, que antecede a conferência principal.
Um funcionário da Casa Branca confirmou à AFP que “nenhum representante de alto nível dos Estados Unidos irá ao encontro”.
Segundo ele, o presidente Donald Trump “está dialogando diretamente com líderes de todo o mundo sobre questões energéticas”.
No total, o Itamaraty estima a participação de 57 chefes de Estado e de governo na reunião de líderes, marcada para 6 e 7 de novembro.
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Comentários (4)
LEDI MACHADO DOS SANTOS
03.11.2025 10:13Como se Brasil fosse rico pra financiar outros países. Quem paga a conta é o trabalhador brasileiro, na grande maioria também pobres! Fazer caridade com chapéu alheio é falta de vergonha na cara deste desgoverno maldito!
Mauricio Henriques
03.11.2025 10:04Agora temos programas sociais internacionais !!! Não há como a Banânia dar certo...
Marian
03.11.2025 09:01Que constrangimento. O país exposto vergonhosamente, acomodação de convidados, representantes diplomáticos em motéis e navios ou barcos.
Denise Pereira da Silva
02.11.2025 19:33Que vexame. Que vergonha alheia.