Coordenador do MST recebe convite de Lula para ir à posse de presidente uruguaio
João Paulo Rodrigues fará parte de comitiva presidencial, após fim de ano de cobranças sobre o petista
O presidente Lula (PT) convidou o dirigente nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), João Paulo Rodrigues, para se juntar a delegação brasileira que viajou para a posse do presidente uruguaio Yarmandú Orsi neste sábado, 1º, segundo revelou o jornal Folha de S.Paulo.
No voo da FAB (Força Aérea Brasileira), Rodrigues ocupou um assento da aeronave que também levou ainda os ministros Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, Luciana Santos, de Ciência e Tecnologia, Alexandre Silveira, de Minas e Energia, a presidente nacional do Partido dos Trabalhaddores (PT) e nova ministra da secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffman e o assessor especial da presidência, Celso Amorim.
A viagem de Rodrigues no avião presidencial pode ser encarado como um gesto de reaproximação do governo Lula ao MST, que recentemente reclamou sobre a falta de participação do petista nas pautas relacionadas ao grupo.
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Pressão
No ano passado, Rodrigues escreveu uma carta cobrando Lula.
“Não entenda como uma crítica, mas não é razoável que em dois anos o presidente Lula não tenha feito nenhuma agenda em um assentamento ou em uma área de agricultura familiar”, dizia trecho do documento.
O líder nacional do MST, João Pedro Stedile, disse que o movimento está “cansado de promessas” e cobrou, “sem ser pessoal”, o petista:
“Medidas que alcancem, de fato, os 70 milhões de trabalhadores que estão na informalidade, criando programas de emprego e renda, com base na reindustrialização do país para produzir em massa os bens de que a população precisa”.
Stedile evita, contudo, ser incisivo para não atingir Lula diretamente.
O líder do MST prefere atribuir culpa ao ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira:
“Um pequeno exemplo. O ministro fez ato público em São Paulo para anunciar o curso de Administração Rural pelo Pronera na UFSCAR [Universidade Federal de São Carlos] há seis meses. O curso não tem um centavo. E a UFSCAR não quer começar. Então, não bastam mais propaganda, retórica, eventos e atos no Palácio. Nós queremos medidas concretas que solucionem problemas reais. E os problemas, quando não resolvidos, só se agravam.”
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