Coordenador da campanha de Lula chama apoio de Doria a Flávio de “criminoso”
Marco Aurélio de Carvalho classificou como "constrangedor" o anúncio feito pelo ex-governador
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula à reeleição, classificou como “constrangedor” o apoio do ex-governador de São Paulo João Doria a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais.
Carvalho mencionou as divergências entre Doria e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), especialmente em relação à compra de vacinas contra a Covid-19.
“Embora a gente já esperasse, não deixa de ser constrangedor esse apoio, porque o Doria sabe, pela gestão que fez da pandemia do estado de São Paulo, que o Bolsonaro — ao contrário dele, que comprou vacinas, — colocou em risco mais de 200 milhões de brasileiros. Então, é constrangedor esse apoio. É criminoso esse apoio. Ele está sujando as mãos de sangue”, afirmou Marco Aurélio ao portal Metrópoles.
O advogado também sugeriu que o apoio do ex-governador a Flávio teria sido motivado por interesses políticos.
“Deve ter querer um narco desse governo, que eles não vão ter, mas que eles já dividiram entre o sistema todo que eles abraçaram”, disse.
“Não fomos nós da campanha do presidente Lula que pedimos esse vídeo do Doira em apoio ao Flávio, tá? (…) É importante que ele se abrace ao Flávio Bolsonaro, e o Flávio Bolsonaro se abrace a ele. Porque eles juraram ser o antissistema, mas abraçaram o sistema e foram abraçados por ele”, ironizou.
BolsoDoria 2.0?
Em vídeo divulgado nesta sexta, 23, Doria afirma que o presidente Lula (PT) “perdeu a chance de governar pacificando o país” e estimulou o confronto entre grupos divergentes.
“O presidente Lula perdeu a chance de governar o Brasil pacificando o país. Quatro anos brigando, quatro anos intimidando muitas pessoas, quatro anos fazendo julgamento ao invés de fazer gestão e administração do país. O governo Lula estimulou o confronto entre pobres e ricos. O governo Lula apoiou extremistas contra o povo judeu. Insuflou o Brasil do Nordeste contra o Sul. O Brasil é um só, uma só nação, um só país, um só povo. Eu sou contra a reeleição. Reeleição é um mal para o Brasil”, diz.
Doria justificou o apoio a Flávio afirmando que o senador se posicionou contra a reeleição e reconheceu os erros do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante a pandemia de Covid-19, especialmente em relação à vacinação.
“Flávio Bolsonaro também teve, a meu ver, a humildade de reconhecer a falha do seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, e não ter adotado a vacina e protegido os brasileiros durante a Covid-19. Mas Flávio teve a dignidade de reconhecer essa falha no debate da Band uma semana atrás. O Brasil precisa mudar. O Brasil não pode se tornar um território de um só partido, de uma só pessoa, de um só comando”, afirma.
O ex-governador também defende que Flávio seja eleito pela “alternância de poder”.
“Alternância no poder é positivo, é saudável, é democrático. Eu sou a favor de um Brasil mais justo, mais próspero, que respeite os seus valores, as diferenças e as posições contrárias também. Que um presidente compreenda que ao ser eleito, ele será presidente de todos os brasileiros e não apenas daqueles que o elegeram, que não vai estabelecer o confronto, que não vai ficar 4 anos fazendo juízo sobre o passado, que vai investir na boa gestão, na administração do país, para permitir o crescimento, a geração de empregos e os verdadeiros valores de uma democracia justa, compartilhada para todos. Eu quero muito bem ao Brasil. Eu aprendi ao longo da vida política a perdoar, a compreender e olhar adiante. Por isso, neste domingo, o meu voto é Flávio Bolsonaro, conscientemente contra Lula e a favor do Brasil.”
Em 2022, Doria anunciou voto nulo no segundo turno, que acabou sendo vencido por Lula.
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