Como funcionava a rede de corrupção dentro da Polícia Civil de SP

27.09.2026

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Como funcionava a rede de corrupção dentro da Polícia Civil de SP
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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 05.03.2026 15:38 comentários
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Como funcionava a rede de corrupção dentro da Polícia Civil de SP

Operação conjunta do MP-SP e da PF prendeu 11 pessoas, entre elas quatro agentes da corporação; personagens da Lava Jato estão envolvidos

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Como funcionava a rede de corrupção dentro da Polícia Civil de SP
Duas mulheres são presas pela Polícia Civil de SP

Uma operação deflagrada nesta quinta-feira, 5, pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Federal, revelou um esquema em que policiais civis recebiam dinheiro para paralisar inquéritos que investigavam lavagem de dinheiro e evasão de capitais. Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de prisão e impostas medidas cautelares a outras seis pessoas.

Entre os detidos estão dois investigadores, um delegado e um escrivão da corporação, além de dois advogados e dois personagens já conhecidos do processo da Lava Jato: a contadora Meire Poza e o doleiro Leonardo Meirelles, ambos ligados à estrutura financeira do operador Alberto Youssef.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou em nota que “a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes e adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades”.

Pagamentos em espécie e inquéritos paralisados

O esquema teve início em 2022, quando integrantes de uma organização suspeita de lavagem de dinheiro teriam combinado com agentes da Polícia Civil a substituição de um HD apreendido durante uma operação anterior.

A manobra foi articulada pelo advogado Marlon Antonio Fontana, apontado como intermediário entre o grupo criminoso e os policiais. Mensagens extraídas do celular dele indicam que orientou investigados a pagar R$ 30 mil a agentes da corporação para garantir o arquivamento do caso.

O policial Rogério Coichev Teixeira, integrante de uma unidade de elite da Polícia Civil paulista, aparece nas investigações como outro elo entre a organização e a corporação. Interceptações telefônicas mostram que um dos suspeitos se dirigia a ele com o termo “irmão”.

Em março de 2022, segundo o MP-SP, Coichev recebeu R$ 50 mil em espécie dentro do hangar da Polícia Civil no Campo de Marte, em São Paulo. Em uma segunda ocasião, ao receber R$ 40 mil, valor abaixo do combinado, perguntou ao interlocutor se o restante seria entregue no dia seguinte, pois precisava “levar o dinheiro para os meninos”, referindo-se a outros agentes que também aguardavam pagamento.

Além dos repasses diretos, a investigação aponta o uso de relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) como instrumento de pressão. O delegado João Eduardo da Silva, do 16º Distrito Policial (Vila Clementino), abriu em 2022 um inquérito para apurar crimes de extorsão praticados pelo grupo investigado. Solicitou ao Coaf documentos sobre a movimentação financeira de empresas ligadas à organização, mas os relatórios jamais foram incorporados ao inquérito. Para o MP-SP, o material serviu para pressionar os investigados e extrair vantagens, num acordo estimado em R$ 100 mil.

Corregedoria e diligências nas delegacias

O advogado Guilherme Sacomano Nasser teria atuado como intermediário nessa segunda negociação e, segundo as investigações, chamava o delegado Silva de “parceiraço”. A Folha localizou Nasser, que disse que se manifestaria ao longo da tarde de quinta-feira. A reportagem também tentou contato com a defesa do delegado, do escrivão e do advogado Fontana, sem resposta até a publicação.

O Poder Judiciário, ao analisar os pedidos do MP-SP e da PF, reconheceu que ficou “demonstrada a possibilidade de intervenção indevida nas investigações, com indícios de uma possível destruição de provas materiais, orquestração para a construção de versões inverídicas, alinhamento de versões entre os investigados e criação de álibis falsos”.

A Corregedoria da Polícia Civil participou das investigações e anunciou uma correição extraordinária nas unidades onde os agentes presos atuaram. A SSP determinou que as apurações administrativas tivessem início pelo 35º Distrito Policial, no Jabaquara, zona sul da capital. A operação, batizada de Bazaar, foi conduzida de forma conjunta pelo MP-SP, pela Polícia Federal e pela própria Corregedoria da corporação.

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