Como estão as disputas pelo comando da Câmara e do Senado

29.10.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista
Como estão as disputas pelo comando da Câmara e do Senado
avatar
Redação O Antagonista
8 minutos de leitura 03.12.2020 15:47 comentários
Brasil

Como estão as disputas pelo comando da Câmara e do Senado

Com o fim das eleições municipais, deputados e senadores mergulharam nas negociações para as eleições internas no Congresso, em fevereiro do ano que vem. A pauta neste fim de 2020 continuará sendo contaminada pelas disputas na Câmara e no Senado. Gabinetes e porões de Brasília estão fervilhando, em mais um momento em que vale quase tudo pelo poder...

avatar
Redação O Antagonista
8 minutos de leitura 03.12.2020 15:47 comentários 0
Como estão as disputas pelo comando da Câmara e do Senado
Foto: Adriano Machado

Com o fim das eleições municipais, deputados e senadores mergulharam nas negociações para as eleições internas no Congresso, em fevereiro do ano que vem.

A pauta neste fim de 2020 continuará sendo contaminada pelas disputas na Câmara e no Senado. Gabinetes e porões de Brasília estão fervilhando, em mais um momento em que vale quase tudo pelo poder.

Amanhã, no plenário virtual, os ministros do STF começarão a julgar a ação que questiona a possibilidade de reeleição de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre . A Constituição é claríssima ao vedar a recondução a cargos da Mesa Diretora na mesma legislatura.

Leia sobre como está a situação em cada uma das Casas do Legislativo:

CÂMARA

Rodrigo Maia (DEM) vai chegando ao fim de mais de quatro anos à frente da Câmara. Ele assumiu o comando da Casa em julho de 2016, quando da cassação de Eduardo Cunha, e acabou sendo eleito outras duas vezes.

A depender da decisão do STF, Maia também poderá ser beneficiado com a possibilidade de uma nova reeleição, claramente inconstitucional. Ele nega essa hipótese, mas até deputados mais próximos não acreditam nisso piamente.

Em público, ninguém defende a reeleição de Maia. Se ele vier a concretizar essa ideia — discutida, inclusive, em convescotes com Gilmar Mendes e Renan Calheiros –,  o deputado do DEM, muito provavelmente, perderia aliados importantes já na largada.

Até hoje, Maia tinha seis nomes disputando seu apoio para buscar a sucessão na Câmara: Luciano Bivar (PSL), Baleia Rossi (MDB), Aguinaldo Ribeiro (PP), Elmar Nascimento (DEM), Marcos Pereira (Republicanos) e Marcelo Ramos (PL), que anunciou pela manhã que pulou fora do barco.

Aguinaldo é amigo de Maia, mas tem dificuldade de se viabilizar por ser do mesmo partido de Arthur Lira (PP), o maestro do Centrão que é adversário do grupo de Maia na disputa. O senador Ciro Nogueira, aliás, presidente nacional do partido, já deixou claro que o candidato da legenda é Lira.

Baleia é uma opção forte, mas poderia encontrar barreiras na esquerda por ser ligado a Michel Temer e em razão do impeachment de Dilma Rousseff. Elmar tem se movimentado nos bastidores, vendendo-se como alguém capaz de agregar e reunir apoios como Maia. Bivar está à espera da definição de Maia e acompanha com atenção as sinalizações de todos os lados.

Já Marcos Pereira, atual vice-presidente da Câmara e presidente nacional do Republicanos, também não jogou a toalha, embora haja igualmente resistência na esquerda, em razão da pauta conservadora e do fato de Carlos e Flávio Bolsonaro serem filiados ao partido.

Na semana passada, como noticiamos, Maia reuniu esses seis pré-candidatos e jogou a responsabilidade da decisão para o grupo. “Meu candidato vai ser um de vocês. Decidam quem agrega mais, quem abre mão para quem”, disse o atual presidente.

Em tese, o grupo de Maia teriam garantidos os apoios de DEM, PSDB, MDB, Cidadania, PV, podendo atrair também Republicanos e parte do PSL. Mas é certo que essa pulverização das pré-candidaturas e uma falta de definição em torno de Maia o enfraqueceram nos últimos dias.

Os partidos de esquerda terão papel decisivo na eleição. Com cerca de 130 deputados, o grupo pode determinar quem será eleito. Partidos como PT e PCdoB caminharam ao lado de Maia nos últimos anos, mas ainda não deram sinalizações de que toparão formar uma “frente ampla” contra Arthur Lira, que conseguiu o apoio de Jair Bolsonaro e do Palácio do Planalto.

Lira, que sempre sonhou em comandar a Câmara, faz contas e vê a vitória sobre o grupo de Maia como “muito possível”. Ele acredita que teria os votos do Progressistas, do PL, do PSD e do Solidariedade, todos partidos da base do governo Bolsonaro. O alagoano também espera contar com Avante, PSC, PTB, Patriota e Pros. Aos esquerdistas, o alagoano tem prometido ser “o candidato da Câmara”, não do presidente da República.

Para vencer a eleição, o candidato deverá receber pelo menos 257 votos no plenário, com possibilidade de eleição em dois turnos, caso ninguém alcance esse número no primeiro escrutínio. O voto é secreto.

Nas negociações, estão em jogo espaços em comissões da Câmara, alianças para 2022, pauta econômica e a agenda do Parlamento nos dois últimos anos antes da corrida presidencial. Elas incluem pedidos de impeachment de Bolsonaro e, obviamente, cargos no governo federal, com a possível recriação de ministérios.

SENADO

Davi Alcolumbre (DEM) começou a se movimentar ainda em 2019 para pavimentar o caminho para a reeleição inconstitucional. O senador do Amapá chegou ao topo do Congresso após fazer uma campanha silenciosa e, com os apoios de Flávio Bolsonaro e Onyx Lorenzoni, conseguir derrotar Renan Calheiros no início da legislatura.

Ainda em janeiro deste ano, este site revelou o documento com a tese que viria a ser usada por Alcolumbre para continuar mais dois anos à frente do Senado: relembre aqui. Desde que decidiu tentar se agarrar ao cargo, Alcolumbre fez acenos ao Palácio do Planalto e se aproximou mais do presidente da República. Ao mesmo tempo, passou a prometer a interlocutores no STF, sempre nos bastidores, que em sua gestão não seriam pautados pedidos de impeachment de ministros da corte e que continuaria a jogar no lixo todas as tentativa de criação de CPI da Lava Toga.

Até esta semana, Alcolumbre estava bastante otimista de que conseguiria o aval jurídico para burlar a Constituição e teria os 41 votos necessários no plenário para sair vitorioso mais uma vez. Porém, nos últimos dias, como noticiamos ontem, a situação do senador do Amapá mudou um pouco por causa da forte reação contrária à possibilidade da reeleição inconstitucional, que ainda será decidida pelo STF.

As críticas não partem somente do grupo “Muda, Senado”, do qual a maioria faz oposição escancarada a Alcolumbre. Tasso Jereissati (PSDB) e Jaques Wagner (PT) se posicionaram contra a hipótese de a Constituição ser rasgada para atender ao projeto pessoal do senador do Amapá.

Por enquanto, dois senadores do “Muda, Senado” colocaram seus nomes à disposição: Jorge Kajuru (Cidadania) e Major Olimpio (PSL). Hoje, a avaliação predominante entre os senadores é a de que um nome do grupo não conseguiria reunir apoio suficiente para ganhar a eleição interna — Alvaro Dias, líder do Podemos, também seria uma opção, embora não tenha assumido publicamente essa possibilidade. Em outubro, O Antagonista revelou aqui algumas dissidências e atritos no “Muda, Senado”, o que, direta ou indiretamente, favorece Alcolumbre.

Outro fato novo desta semana é a informação de bastidor, publicada ontem, de que o MDB avisou a Alcolumbre que o partido não vai embarcar em uma “reeleição com liminar”. Apesar da sinalização, a bancada está dividida. Os senadores Fernando Bezerra Coelho e Eduardo Gomes, líderes do governo no Senado e no Congresso, respectivamente, defendem, até aqui, a reeleição de Alcolumbre, que ainda conta com a simpatia do Planalto.

O MDB ficará à espreita, aguardando o posicionamento do STF e um eventual desgaste maior de Alcolumbre. Com a maior bancada — são 13 senadores –, o partido tem para indicar nomes como o de Eduardo Braga, atual líder, além dos dois líderes do governo e Simone Tebet, derrotada internamente por Renan Calheiros em 2019.

Fora desse radar, haveria nomes como os de Jereissati e Antonio Anastasia, mas ambos já afirmaram aos mais próximos que não querem essa missão agora. O PSD, atual partido de Anastasia, aliás, apoia a reeleição de Alcolumbre, ainda que, na Câmara, seja contra a reeleição de Maia — a postura é a mesma do Progressistas, de Ciro Nogueira. O PT ainda não decidiu o que fará, a despeito do posicionamento contrário a Alcolumbre de Jaques Wagner, mas favorável de Rogério Carvalho, líder da bancada de seis senadores.

No Senado, estão em jogo a concessão de espaços na Casa, onde o secretário-geral da Mesa, Luiz Fernando Bandeira de Mello Filho, e a diretora-geral, Ilana Trombka, têm muito poder. Além disso, espaços na Mesa Diretora, nas comissões e em relatorias de projetos importantes fazem parte das negociações. Líderes partidários, até os que apoiam Alcolumbre, avaliam que o atual presidente se dedicou muito a questões do seu estado e não conseguiu tirar do Senado a pecha de “Casa carimbadora” de propostas da Câmara.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

“Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos”, diz Malafaia

“Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos”, diz Malafaia
2

Tarcísio rebate carta de Flávio: “A eleição acabou”

Tarcísio rebate carta de Flávio: “A eleição acabou”
3

Ana Campagnolo cobra “autocrítica” da direita após reeleição de Lula

Ana Campagnolo cobra “autocrítica” da direita após reeleição de Lula
4

Dino e Moraes saem de trás da moita

Dino e Moraes saem de trás da moita
5

“O PL não pode afirmar que houve fraude nas eleições”, diz Marinho

“O PL não pode afirmar que houve fraude nas eleições”, diz Marinho
6

Eduardo Bolsonaro publica foto com Flávio nos EUA: “Não desistiremos do Brasil”

Eduardo Bolsonaro publica foto com Flávio nos EUA: “Não desistiremos do Brasil”
7

Coca-Cola na promoção e o nosso empobrecimento

Coca-Cola na promoção e o nosso empobrecimento
8

“Não vou me envolver”, diz Trump sobre carta de Flávio

“Não vou me envolver”, diz Trump sobre carta de Flávio
9

Crusoé: Netanyahu acusa partidos árabes de fraude eleitoral em Israel

Crusoé: Netanyahu acusa partidos árabes de fraude eleitoral em Israel
10

Rafael Fonteles na Fazenda: motivo para otimismo? 

Rafael Fonteles na Fazenda: motivo para otimismo? 
1

Eduardo Bolsonaro publica foto com Flávio nos EUA: “Não desistiremos do Brasil”

Eduardo Bolsonaro publica foto com Flávio nos EUA: “Não desistiremos do Brasil”
2

“Sou o presidente eleito” do Brasil, diz Flávio em carta dos EUA

“Sou o presidente eleito” do Brasil, diz Flávio em carta dos EUA
3

Nunes Marques manda PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro

Nunes Marques manda PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro
4

"Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos", diz Malafaia

"Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos", diz Malafaia
5

Bolsonaro tenta assimilar acontecimentos, diz Carlos após visita

Bolsonaro tenta assimilar acontecimentos, diz Carlos após visita
6

Flávio "chega aos EUA para lamber as botas de Trump", diz vice-presidente do PT

Flávio "chega aos EUA para lamber as botas de Trump", diz vice-presidente do PT
7

Por que a carta de Flávio pode custar caro à direita brasileira

Por que a carta de Flávio pode custar caro à direita brasileira
8

Alcolumbre usa anistia a Bolsonaro como moeda para seguir na presidência do Senado

Alcolumbre usa anistia a Bolsonaro como moeda para seguir na presidência do Senado
9

Coca-Cola na promoção e o nosso empobrecimento

Coca-Cola na promoção e o nosso empobrecimento
10

Toffoli barra ação de Flávio Bolsonaro contra Janones

Toffoli barra ação de Flávio Bolsonaro contra Janones
1

Ana Campagnolo cobra “autocrítica” da direita após reeleição de Lula

Ana Campagnolo cobra “autocrítica” da direita após reeleição de Lula
2

Bukele felicita Lula e propõe ampliar cooperação com o Brasil

Bukele felicita Lula e propõe ampliar cooperação com o Brasil
3

Manifestantes podem ter de pagar por vandalismo na França

Manifestantes podem ter de pagar por vandalismo na França
4

Eduardo Bolsonaro publica foto com Flávio nos EUA: “Não desistiremos do Brasil”

Eduardo Bolsonaro publica foto com Flávio nos EUA: “Não desistiremos do Brasil”
5

Venezuela cobra da Inglaterra ouro retido desde 2019

Venezuela cobra da Inglaterra ouro retido desde 2019
6

Alcolumbre usa anistia a Bolsonaro como moeda para seguir na presidência do Senado

Alcolumbre usa anistia a Bolsonaro como moeda para seguir na presidência do Senado
7

Lindbergh acusa Flávio de traição à pátria por carta

Lindbergh acusa Flávio de traição à pátria por carta
8

Morre juiz que conduzia ação contra Maduro em Nova York

Morre juiz que conduzia ação contra Maduro em Nova York
9

Trump é questionado sobre a carta de Flávio e se distancia

Trump é questionado sobre a carta de Flávio e se distancia
10

Carta de Flávio trata Rogério Marinho como marionete

Carta de Flávio trata Rogério Marinho como marionete

Tags relacionadas

Câmara candidatos Congresso Davi Alcolumbre eleição na Câmara eleição no Senado reeleição Rodrigo Maia Senado STF sucessão de Alcolumbre sucessão de Maia
< Notícia Anterior

Léo Índio ganha cargo na diretoria do Senado

03.12.2020 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

Senadores querem barrar exclusão de personalidades negras pela Fundação Palmares

03.12.2020 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Redação O Antagonista

Suas redes

Instagram

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Início

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.