Começaram com 60 porcas e agora têm 26 mil cabeças
O grupo também produz leite, café, carne de corte e grãos, operando um sistema em que os resíduos e insumos circulam entre as atividades.
A história de um grupo agropecuário de Minas Gerais que começou sua criação de porcos com apenas 60 porcas e hoje cuida de cerca de 26 mil suínos mostra como a suinocultura se consolidou como um dos motores do agronegócio brasileiro, baseando-se em tecnologia, escala produtiva e integração com outras atividades rurais.
Como 60 porcas se transformaram em criação de 26 mil porcos
No início, a suinocultura do grupo era quase experimental, com estrutura modesta, poucas matrizes e muitas incertezas, a ponto de a primeira fase ser interrompida.
Anos depois, um prêmio em dinheiro permitiu retomar o projeto em uma fazenda recém comprada, já com visão empresarial e gestão dividida entre irmãos.
A partir dessa reestruturação, vieram consultorias técnicas, correção de erros e planejamento voltado à escala.
O plantel evoluiu de dezenas para cerca de 9 mil matrizes e 26 mil animais em terminação, distribuídos por diferentes municípios, seguindo um modelo de produção profissional e padronizado.
Como a criação de porcos se tornou o principal negócio do grupo
O salto ocorreu quando a produção passou a funcionar em núcleos, com granjas distribuídas em várias cidades e uso inteligente de estruturas já existentes.
Muitas granjas desativadas foram compradas, reformadas e rapidamente recolocadas em operação, acelerando a expansão e consolidando os suínos como atividade central.
Com apoio técnico permanente, o grupo adotou manejo padronizado, protocolos sanitários rígidos e nutrição ajustada ao detalhe.
A gestão interna ágil facilitou decisões sobre compra de unidades, modernização de instalações e implantação de sistemas automatizados de alimentação e manejo, reduzindo falhas e garantindo previsibilidade.

Como os dejetos suínos se transformam em energia e fertilizante
Em um sistema intensivo, o grande desafio é o volume de dejetos gerados pelos animais nas fases de matrizes e terminação. O grupo separa as etapas produtivas em diferentes fazendas e concentra cerca de 26 mil suínos em três núcleos, o que exige manejo ambiental cuidadoso e contínuo.
Os dejetos passam por separador de sólidos e seguem para um biodigestor, que produz biogás para gerar energia elétrica e efluente líquido rico em nutrientes.
Esse efluente é aplicado via fertirrigação em pastagens e lavouras, reduzindo o uso de fertilizantes químicos e elevando a produtividade de leite, corte, café, milho e soja.
Leia também: Casca de laranja com cravo-da-índia e sua peculiar utilidade ao colocá-los num frasco dentro de casa
Quais são as principais características de uma granja moderna
Nos galpões modernos, a rotina é altamente automatizada, permitindo que poucas pessoas cuidem de milhares de animais.
Os suínos têm genética moderna e são abatidos com cerca de 115 kg, entre 160 e 165 dias, o que garante ciclo rápido, carcaça eficiente e padronização de resultados.
Alguns aspectos do dia a dia ilustram como a tecnologia e o controle sanitário organizam o sistema produtivo e dão suporte à integração com frigoríficos regionais:
Principais características de uma granja moderna (visão prática e comercial)
Um resumo direto, premium e “escaneável” das tecnologias e padrões de desempenho que definem granjas atuais — com foco em produtividade, sanidade e integração de mercado em Minas Gerais.
| Pilar da granja moderna | O que significa na prática | Impacto direto (resultado) |
|---|---|---|
|
Abate precoce + carcaça eficiente
Desempenho zootécnico
|
Meta: ciclo mais curto
Foco: carne magra
Padrão: uniformidade
Abate em idade mais jovem, com rendimento de carcaça elevado e
boa proporção de carne magra, reduzindo perdas e aumentando previsibilidade.
|
• Mais giro por lote
• Melhor margem por animal • Produto mais valorizado no frigorífico |
|
Alimentação automatizada
Processo e consistência
|
Automação: diária
Controle: dieta
Gestão: tempo
Sistemas automatizados reduzem esforço físico, diminuem falhas humanas e
reduzem a variabilidade na dieta — ponto crítico para desempenho e conversão.
|
• Menos desperdício de ração
• Padronização do ganho de peso • Equipe mais enxuta e produtiva |
|
Controle sanitário rigoroso
Sanidade e prevenção
|
Protocolo: biosseguridade
Rotina: vacinação
Gestão: padronização
Protocolos claros de biosseguridade, manejo de acesso e
vacinação padronizada — reduzindo risco de surtos e garantindo estabilidade do plantel.
|
• Menos mortalidade e descarte
• Menos uso emergencial de medicamentos • Produção mais “segura” e rastreável |
|
Integração com frigoríficos
Estratégia de mercado
|
Integração: comercial
Logística: polos urbanos
Região: Minas Gerais
Relação estruturada com frigoríficos que atendem
diferentes polos urbanos de Minas Gerais, com planejamento de volume,
janela de entrega e padrão de qualidade.
|
• Venda mais previsível
• Menos risco de preço na “hora H” • Escala para crescer com segurança |
Como a criação de porcos se integra a leite, café, corte e lavouras
O grupo também produz leite, café, carne de corte e grãos, operando um sistema em que os resíduos e insumos circulam entre as atividades.
Os dejetos suínos fertilizam pastagens, lavouras de milho, soja e café, enquanto parte dos grãos retorna como ração para suínos e rebanho leiteiro.
Essa integração aproveita melhor a terra, a mão de obra e os recursos, com mais de 800 funcionários, dos quais cerca de 150 dedicados diretamente aos suínos.
O resultado é um modelo sustentável, em que um projeto iniciado com 60 porcas tornou-se um sistema complexo, eficiente e articulado em diferentes cadeias do agronegócio.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)