Cobertura vacinal no Brasil está longe do ideal
Documento elaborado por cientistas mostra quadro preocupante, especialmente quanto à vacinação infantil
O Instituto Questão de Ciência (IQC) publicou o Anuário VacinaBR 2025 durante a 38ª edição do Congresso Conasems, reconhecido como o maior evento de saúde pública global.
O estudo consolida informações sobre a cobertura vacinal infantil no Brasil ao longo de mais de duas décadas (2000-2023), e aponta que, apesar de um discreto sinal de retomada em 2023, os índices de imunização permanecem aquém do ideal.
Uma vasta porção da população brasileira reside em municípios que não atingiram as metas estabelecidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). A escolha do Conasems para a divulgação não foi casual, dada sua importância estratégica para gestores de saúde.
Queda persistente e disparidades regionais
A pesquisa detalha uma diminuição contínua nas coberturas vacinais observada desde 2015, cenário intensificado pela pandemia de COVID-19. Um aspecto preocupante é o crescente abandono de esquemas vacinais que requerem múltiplas doses: a vacina tríplice viral, por exemplo, registra uma evasão superior a 50% entre a primeira e a segunda dose em estados como Acre, Pará e Amapá.
Em 2023, a cobertura nacional da vacina contra a poliomielite atingiu apenas 72,8%, um índice significativamente abaixo da meta de 95%. Da mesma forma, a imunização contra o meningococo C não alcançou seu objetivo em nenhuma unidade federativa nos últimos três anos.
O Anuário ressalta ainda profundas disparidades geográficas, em que cidades vizinhas podem apresentar diferenças de até 40 pontos percentuais nas taxas de cobertura, gerando focos de vulnerabilidade para o reaparecimento de doenças outrora controladas, como o sarampo e a poliomielite.
O que é e quem faz o Anuário VacinaBR
O Anuário VacinaBR é fruto da plataforma VacinaBR, inaugurada pelo IQC em 2023, com o intuito de ampliar a transparência e o acesso a dados públicos de vacinação no país.
Para sua elaboração, o IQC cruzou dados de bases oficiais como DataSUS, InfoMS, IBGE e Sinasc, criando um panorama robusto. Segundo Natalia Pasternak, presidente do IQC, são cruciais “dados, estratégia e compromisso institucional com a ciência e a prevenção” para a saúde pública nacional.
De acordo com Paulo Almeida, diretor executivo do IQC e coordenador do relatório, a publicação transcende um simples diagnóstico, visando “fornecer uma base sólida para a análise técnica e para a tomada de decisões oficiais”, reforçando a clareza e a capacidade de resposta das políticas públicas de vacinação no Brasil.
O documento está disponível para consulta gratuita e pode ser lido na íntegra acessando o portal da plataforma VacinaBR.
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