Coaf aponta pagamentos de deputados a faturas do cartão de Ciro Nogueira
Valores somam cerca de R$ 17 mil e foram classificados como atípicos; relatório do Coaf aponta repasses de parlamentares do PP ao senador
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) teve despesas de cartão de crédito quitadas por dois deputados federais do próprio partido, segundo informações reunidas em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e reveladas pelo Portal G1, nesta quinta-feira, 18. De acordo com os dados, os pagamentos foram feitos pelos deputados Átila Lira e Júlio Arcoverde, aliados políticos deo parlamentar. As transações, realizadas em 2024, somam cerca de R$ 17 mil e foram classificadas como movimentações “atípicas“.
O material integra um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) a partir de comunicações feitas por instituições financeiras. O documento também menciona a Caixa Econômica Federal como responsável por identificar operações consideradas fora do padrão. Segundo a reportagem, em 4 de junho de 2024, Átila Lira aparece como responsável pelo pagamento de um boleto de R$ 3.457 referente a um cartão do Banco de Brasília (BRB) em nome do senador. Já no dia 19 do mesmo mês, outra fatura, no valor de R$ 13.693,54, teria sido quitada por Júlio Arcoverde.
Ainda de acordo com o G1, o relatório também registra que, poucos dias antes, o próprio Ciro Nogueira quitou uma fatura de R$ 120.839,96 junto ao BRB, instituição que aparece em investigações relacionadas ao chamado caso Master. Além dos pagamentos, a Caixa teria classificado como “inusitado” o comportamento financeiro da conta do senador no período de janeiro a junho de 2024. O banco apontou movimentações consideradas incompatíveis com a renda declarada, transferências para pessoas politicamente expostas sem justificativa econômica clara e operações que poderiam dificultar a identificação da origem dos recursos.
Entre os pontos destacados está o recebimento de uma transferência internacional equivalente a R$ 25,8 mil, enviada por um condomínio residencial em Miami Beach, nos Estados Unidos, sem justificativa detalhada, classificada como “doação ou transferência sem contrapartida”. O relatório também menciona vínculos indiretos entre os envolvidos. O filho de Júlio Arcoverde atua desde 2020 no gabinete de Ciro Nogueira, com salário bruto superior a R$ 12 mil.
O documento cita que, em casos envolvendo agentes públicos, o pagamento de despesas por terceiros pode levantar suspeitas de tentativa de ocultação da origem dos recursos ou eventual vantagem indevida, a depender da apuração.
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