Clarita Maia na Crusoé: Polifemo e o terrorismo
Debate intelectual deixa o ciclope anão desorientado e aturdido
Entre os episódios mais angustiantes de A Odisseia, destaca-se a permanência de Ulisses e de seus companheiros na Ilha dos Ciclopes, onde se tornam reféns de Polifemo.
Em afronta ao princípio da xenia, a hospitalidade sagrada tutelada por Zeus, o cíclope pastor encerra os viajantes em sua caverna e, de forma brutal, passa a devorar sucessivamente alguns de seus integrantes, ainda que contasse, em seu rebanho, com um número expressivo de ovelhas.
A carne humana servia-lhe mais de capricho do que de alimento. O terror como método.
Na chave de interpretação arquetípica, os Ciclopes encarnam as dimensões mais primitivas da condição humana: a força desprovida de reflexão, os apetites insaciáveis e as paixões não temperadas pela inteligência.
O único olho que ostentam não representa apenas uma deformidade física, mas a metáfora de uma visão estreita, incapaz de reconhecer a alteridade, os limites morais e a complexidade da existência.
Polifemo, nesse sentido, não é apenas um monstro mitológico. É o arquétipo do poder que desconhece o raciocínio e o Direito.
A tirania e o terrorismo constituem algumas das expressões históricas dessa mesma pulsão: a tentativa de submeter o mundo à própria vontade por meio da violência, seja ela física, psicológica ou emocional, do medo e da negação da dignidade do outro.
Na semana em que a polêmica acerca da adaptação de Christopher Nolan do romance de Homero, com pitadas de Virgílio, ao cinema ainda ecoa no mundo do cinema e da literatura, na Câmara dos Deputados, no Plenário I, ocorreu o I Fórum de Segurança Regional e Contraterrorismo.
Ao longo de nove horas e quatro painéis, promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), procuradores da República, um juiz de vara especializada em crime organizado…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Pedro Boer
08.08.2026 15:14Tudo vai parar no Supremo. Lá os ciclopes, reforçando o mote da "justiça cega", dão seus vereditos.