Ciro Nogueira: “O único que não pode perder a eleição é Bolsonaro”
Cenário político ganha novos contornos com defesa de sucessor e divisões internas diante da situação jurídica do ex-presidente
“O único que não pode perder a eleição do ano que vem é Jair Bolsonaro”, disse o senador Ciro Nogueira em entrevista nesta segunda-feira, 1º. Para o presidente do PP, Bolsonaro precisa escolher alguém “capaz de ganhar” de Lula nas eleições de 2026. Inelegível, o ex-presidente começará a ser julgado amanhã, 2, pela participação da trama golpista do 8 de janeiro.
Ciro Nogueira enfatiza que, dadas as circunstâncias, Jair Bolsonaro não pode arriscar uma derrota. Apontar um sucessor competitivo o quanto antes talvez seja sua única chance – mediante indulto de um possível aliado – de escapar da prisão em virtude do processo que corre no Supremo Tribunal Federal, por tentativa de golpe de Estado. A pena pode chegar a 43 anos de prisão.
Tarcísio de Freitas e as tensões internas
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é visto por Ciro Nogueira como o principal nome com chances de vitória contra o presidente Lula. O próprio Lula, em reunião ministerial de agosto, já o apontou como um possível adversário na disputa presidencial.
Ainda assim, a projeção do governador paulista provoca controvérsias entre os apoiadores de Bolsonaro. Nogueira critica a associação feita por Lula, sugerindo que o presidente busca desqualificar o governador ao mencioná-lo como vice. Essa tática, segundo Nogueira, “leva setores da direita a bater em Tarcísio”.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, já expressou descontentamento mais de uma vez. Ele cogita candidatura própria e alega que o governador não tem o perfil de “combate ao establishment” esperado pela base bolsonarista. A família Bolsonaro pode deixar o PL se ele aderir ao partido.
Tarcísio garantiu que, se eleito, sua primeira ação seria conceder indulto a Jair Bolsonaro. Ciro Nogueira antecipa que a eventual condenação do ex-presidente reavivará o debate sobre anistia aos envolvidos nos eventos de 8 de janeiro. Ele defende que Bolsonaro seja incluído nessa medida, embora o tema não esteja previsto para deliberação no Congresso Nacional.
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