Ciro Nogueira, o presidente paralelo; Entenda Aqui

01.11.2026

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Ciro Nogueira, o presidente paralelo
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5 minutos de leitura 28.12.2021 11:00 comentários
Brasil

Ciro Nogueira, o presidente paralelo

Em 2021, Ciro Nogueira, que dizia que Jair Bolsonaro era fascista e que Lula foi o melhor presidente da história do Brasil, deu mais uma repaginada oportunista em seu figurino. O cacique do Centrão vestiu a camisa de bolsonarista desde criancinha, entrou para o governo, como ministro-chefe da Casa Civil, e assumiu o posto de "presidente paralelo", lá mesmo, no Palácio do Planalto...  

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Ciro Nogueira, o presidente paralelo
Foto: Isac Nóbrega/PR

Em 2021, Ciro Nogueira, que dizia que Jair Bolsonaro era fascista e que Lula foi o melhor presidente da história do Brasil, deu mais uma repaginada oportunista em seu figurino. O cacique do Centrão vestiu a camisa de bolsonarista desde criancinha, entrou para o governo, como ministro-chefe da Casa Civil, e assumiu o posto de “presidente paralelo”, lá mesmo, no Palácio do Planalto.

Conformado com o fracasso em tirar a Aliança Brasil do papel, Bolsonaro começou o ano em busca de um partido. O PP, seu ex-partido, passou a ser uma das possibilidades. O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, era um dos defensores da ideia.

O namoro do presidente com o PP esquentou com a disputa pela Presidência da Câmara. O governo decidiu apoiar, ainda no ano passado, Arthur Lira, em uma tentativa de derrotar o candidato de Rodrigo Maia, Baleia Rossi. A vitória de Lira aproximou ainda mais Ciro Nogueira do Planalto.

Em outra frente, a Segunda Turma do STF julgou a denúncia contra o “Quadrilhão do PP”, e Ciro finalmente colheu os frutos da indicação de Kassio Marques à Corte. O colegiado arquivou a denúncia contra o grupo formado por Arthur Lira, Ciro Nogueira, Aguinaldo Ribeiro e Eduardo da Fonte.

Eles eram acusados por organização criminosa por desvios na Petrobras, no âmbito da operação Lava Jato. Em 2019, a denúncia havia sido aceita, mas, com o voto de Kassio, o placar da votação virou, ficando em 3 a 2 pelo arquivamento.

Ciro, que assim como Kassio é do Piauí, foi um dos defensores da indicação do desembargador e celebrou a escolha de Bolsonaro, referindo-se a ele como “nosso Kassio”.

Em abril, quando o país registrava cerca de 3 mil óbitos por dia, o ministro Luís Roberto Barroso determinou que Rodrigo Pacheco instalasse a CPI da Covid, para investigar os crimes do governo federal na pandemia.

Ciro Nogueira foi escalado para ser o camisa 10 da tropa de choque do governo e comandar os senadores bolsonaristas no colegiado. O governo, no entanto, foi derrotado na composição da comissão, conseguindo emplacar apenas quatro integrantes. Para piorar, Renan Calheiros foi escolhido como relator.

A missão de Ciro era tumultuar as sessões e defender a narrativa de que o governo repassou recursos aos estados durante a pandemia e não poderia ser responsabilizado pelas mortes. A ideia era desviar o foco para as suspeitas de corrupção envolvendo os governadores.

Logo no primeiro depoimento, Ciro protagonizou uma das cenas mais ridículas de todas as sessões. O senador começou a ler uma pergunta ao ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, quando foi interrompido pelo ex-ministro.

Mandetta disse que a pergunta havia sido enviada a ele por engano pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria, na noite anterior. O episódio deixou claro que a tropa de choque seguiria exatamente o script de Jair Bolsonaro nos meses subsequentes.

No transcorrer das sessões, o desempenho de Ciro Nogueira desagradou ao Planalto, que esperava mais dele. O senador pareceu ter dificuldade para articular pensamentos, rebater acusações e até para montar estratégias que antecipassem os movimentos da oposição. Outros parlamentares, como Marcos Rogério, se destacaram mais na defesa do negacionismo.

Ciro Nogueira foi aos poucos se distanciando das sessões da CPI, para preservar a sua imagem.

Em junho, com o avanço das investigações sobre as suspeitas de corrupção envolvendo a compra de vacinas, o deputado Luis Miranda afirmou com exclusividade a O Antagonista que Jair Bolsonaro foi informado sobre as irregularidades na compra da Covaxin e citou Ricardo Barros como um dos responsáveis.

A cúpula do PP ficou em silêncio sobre o caso. Ciro se limitou a atacar Miranda no Twitter.

Em julho a Crusoé trouxe mais uma bomba. A revista detalhou o suposto envolvimento de Ciro e Lira em um negócio nebuloso entre o Ministério da Saúde e a empresa de logística VTCLog, responsável por armazenar e distribuir medicamentos comprados pelo governo, como vacinas contra a Covid.

Um informante disse a Luis Miranda que os caciques do PP estariam envolvidos na obtenção de um aditivo de R$ 88,7 milhões a um contrato entre a VTCLog e o ministério. Lira seria um dos beneficiários do esquema. Ele foi o responsável por indicar o servidor que aprovou o aditivo.

O dono da empresa, Carlos Alberto de Sá, e seu amigo Flávio Loureiro pediram ajuda a Ciro Nogueira para garantir o aditivo, assim como a Arthur Lira e a Flávio Bolsonaro. Flávio Loureiro, o “Flavinho”, teria até perdoado um caso extraconjugal da sua esposa com Ciro Nogueira, em troca da obtenção do aditivo.

A revelação do caso também foi ignorada pelos parlamentares.

Acossado de todos os lados, Bolsonaro decidiu vender de uma vez por todas o governo para o Centrão, convidando Ciro Nogueira para ser o seu ministro-chefe da Casa Civil.

Quem assumiu a vaga deixada pelo cacique dos fisiológicos no Senado foi a sua própria mãe, Eliane Nogueira.

No cargo, Ciro passou a mandar na distribuição de emendas parlamentares do orçamento secreto, para blindar o governo e tentar garantir a aprovação de suas propostas eleitoreiras, como a PEC dos Precatórios, para financiar o Auxílio Brasil de 400 reais.

Com Ciro no governo, cresceu a expectativa de que Bolsonaro se filiasse ao PP. Em entrevista em agosto, Ciro disse que o presidente decidiria em até 30 dias se iria de fato se filiar ao partido.

Bolsonaro ficou entre o PP e o PL, de Valdemar da Costa Neto. Escolheu o segundo. E os chefões do PP ficaram aliviados, para falar a verdade. Trair o presidente, em 2022, ficará mais fácil.

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