Cidade proíbe venda de destilados após novos casos de intoxicação por metanol
A bebida alcoólica adulterada com metanol é aquela em que o etanol próprio para consumo humano é substituído total ou parcialmente por metanol
A confirmação de sete casos de intoxicação por bebida alcoólica adulterada com metanol em Ribeira do Pombal, interior da Bahia, levou o município a decretar emergência em saúde e suspender temporariamente a venda de destilados durante o período de festas de fim de ano.
O que é bebida alcoólica adulterada com metanol e por que oferece risco imediato?
A bebida alcoólica adulterada com metanol é aquela em que o etanol próprio para consumo humano é substituído total ou parcialmente por metanol, substância altamente tóxica de uso industrial.
Essa adulteração costuma ocorrer em produtos clandestinos ou reembalados, vendidos como se fossem destilados de marcas conhecidas.
O consumidor geralmente não consegue identificar a fraude pelo sabor, cheiro ou aparência, o que aumenta o perigo.
Ao ser ingerido, o metanol é metabolizado no fígado e gera compostos que podem causar danos graves ao sistema nervoso central, rins, fígado e visão, podendo levar à cegueira e à morte em poucas horas ou dias.

Quais são os principais sintomas e riscos da intoxicação por metanol?
Os primeiros sinais de intoxicação por metanol lembram uma embriaguez comum, como mal-estar, dor de cabeça intensa, tontura e náuseas, o que pode retardar a busca por atendimento médico.
Com a progressão do quadro, surgem manifestações mais graves, exigindo intervenção rápida.
Entre os sintomas e complicações mais importantes observados em casos de intoxicação por metanol, destacam-se:
- Dor abdominal intensa, vômitos persistentes e mal-estar generalizado;
- Respiração acelerada, dificuldade para respirar e sensação de falta de ar;
- Alterações visuais, como visão embaçada, pontos brilhantes e risco de cegueira;
- Confusão mental, sonolência, convulsões e parada cardiorrespiratória em casos graves.
Como Ribeira do Pombal está enfrentando os casos de álcool adulterado?
Após a confirmação laboratorial de metanol em amostras de bebidas e em exames de pacientes, a prefeitura suspendeu a comercialização de bebidas destiladas entre 31 de dezembro de 2025 e 5 de janeiro de 2026.
A medida vale para bares, restaurantes, supermercados, eventos e vendedores ambulantes.
A Vigilância Sanitária Municipal, em parceria com a Guarda Civil e outros órgãos, intensificou as ações de fiscalização, com vistorias em estabelecimentos, apreensão de lotes suspeitos, interdições cautelares, envio de amostras para análise e aplicação de sanções administrativas a quem descumprir o decreto.
Qual é o papel do Ministério da Saúde no enfrentamento da intoxicação por metanol?
Para apoiar a rede de saúde da Bahia, o Ministério da Saúde enviou 100 ampolas de etanol farmacêutico, principal antídoto contra intoxicação por metanol.
Esse produto compete com o metanol pelas mesmas enzimas, reduzindo a formação de metabólitos tóxicos e diminuindo o risco de sequelas neurológicas e visuais.
O tratamento inclui ainda suporte intensivo, correção da acidose metabólica e, quando necessário, hemodiálise para remoção dos tóxicos do sangue.
Em Ribeira do Pombal, cinco pacientes seguem internados no município e dois foram transferidos para Salvador, três deles em estado grave e monitorados continuamente.
Como a população pode se proteger da bebida alcoólica adulterada com metanol?
Órgãos de saúde pública recomendam que a população adote cuidados simples para reduzir o risco de contato com álcool adulterado, especialmente em períodos de maior consumo.
A atenção à procedência do produto é fundamental para evitar exposição a destilados clandestinos ou de origem desconhecida.
- Comprar bebidas apenas em estabelecimentos formalizados e fiscalizados;
- Evitar destilados vendidos a granel, sem rótulo, sem registro ou com lacre violado;
- Desconfiar de preços muito abaixo do praticado no mercado;
- Procurar atendimento médico imediato diante de qualquer sintoma após o consumo de bebida alcoólica.
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