Cid indica em delação que Bolsonaro desconfiava de Mourão
Ex-presidente teria recebido uma informação de que o então vice-presidente estava se reunindo com Alexandre de Moraes
No acordo de delação premiada tornado público nesta quarta-feira, 19, pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), citou uma desconfiança que o ex-presidente tinha sobre o então vice-presidente Hamilton Mourão.
Segundo a delação, Bolsonaro teria determinado o monitoramento de Moraes por suspeitar de encontro com Mourão.
“Um dos motivos foi o fato de que o então presidente havia recebido uma informação de que o general Mourão estaria se encontrando com o ministro Alexandre de Moraes em São Paulo. Que foi uma maneira de verificar se essa informação era verdadeira ou não“, diz trecho da delação de Cid.
Trechos da delação
Em 2023, Moraes aceitou a delação premiada de Cid, considerada peça fundamental nas investigações sobre a trama golpista, além de informações sobre supostas fraudes no cartão de vacinas e desvio de joias enviadas à Presidência da República.
Em um dos trechos que embasou a denúncia do Procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, Cid teria revelado que Bolsonaro dava esperança de que algo fosse acontecer para as Forças Armadas concretizarem um golpe de Estado após as eleições de 2022.
“O então Presidente sempre dava esperanças que algo fosse acontecer para convencer as Forças Armadas a concretizarem o golpe. O colaborador inclusive afirma que esse foi um dos
motivos pelos quais o então Presidente Jair Bolsonaro não desmobilizou as pessoas que ficavam na frente dos quarteis. Em relação a isso, o colaborador também se recorda que os Comandantes das Três Forças assinaram uma nota autorizando a manutenção da permanência das pessoas
na frente dos quarteis por ordem do então Presidente Jair Bolsonaro”, diz trecho da delação.
Na delação, também reproduzida pela PGR, o ex-ajudante de ordens disse que Bolsonaro não aceitou a conclusão da Forças Armadas sobre a “inexistência de fraude nas urnas eletrônicas”, o que não teria comprometido o resultado das eleições.
“Que em relação a um dos assuntos que mais insuflava a população contra a Justiça Eleitoral e o Poder Judiciário como um todo, dando azo aos radicais que queriam golpe de Estado, ou seja, em relação à inexistente fraude das urnas eletrônicas, o colaborador se recorda que a primeira conclusão da comissão das Forças Armadas era pela inexistência de qualquer fraude no processo eleitoral e na utilização das urnas eletrônicas, porém, o então Presidente Jair Bolsonaro não aceitou essa conclusão das Forças Armadas e exigia do então Ministro da Defesa, General Paulo Sérgio, que demonstrasse a existência de supostas fraudes”, diz trecho.
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