Cid: Bolsonaro sempre dava esperança de convencer as FA a concretizar golpe
Gonet utilizou trecho de delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro em denúncia encaminhada ao STF
Na denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por liderar trama golpista, o PGR, Paulo Gonet, destacou um trecho da delação do ex-ajudante de ordens, Mauro Cid, na qual teria confirmado que Bolsonaro dava esperanças de que algo fosse acontecer para as Forças Armadas concretizarem um golpe de Estado.
“O então Presidente sempre dava esperanças que algo fosse acontecer para convencer as Forças Armadas a concretizarem o golpe. O colaborador inclusive afirma que esse foi um dos
motivos pelos quais o então Presidente Jair Bolsonaro não desmobilizou as pessoas que ficavam na frente dos quarteis. Em relação a isso, o colaborador também se recorda que os Comandantes das Três Forças assinaram uma nota autorizando a manutenção da permanência das pessoas
na frente dos quarteis por ordem do então Presidente Jair Bolsonaro”, diz trecho do documento da delação.
Em depoimento à Polícia Federal (PF), Cid afirmou que Bolsonaro teria considerado duas estratégias para reverter o resultado das eleições de 2022, em que foi derrotado por Lula (PT): encontrar provas de fraudes nas urnas ou convencer as Forças Armadas a aderirem a um golpe de Estado.
Denúncia
Bolsonaro e mais 33 pessoas foram denunciadas pela PGR na noite desta terça-feira, 18.
“O SR. JAIR MESSIAS BOLSONARO pelos crimes de liderar organização criminosa armada (art. 2º, caput, §§2º, 3º e 4º, II, da Lei n. 12.850/2013), tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (art. 359-L do CP), golpe de Estado (art. 359-M do CP), dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima (art. 163, parágrafo único, I, III e IV, do CP), e deterioração de patrimônio tombado (art. 62, I, da Lei n. 9.605/1998), observadas as regras de concurso de pessoas (art. 29, caput, do CP) e concurso material”, denuncia o PGR.,
No documento entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), Gonet atribui cinco crimes a Bolsonaro: tentativa de abolição do Estado democrático de Direito (pena de 4 a 12 anos), golpe de Estado (pena de 4 a 12 anos), organização criminosa armada (pena de 3 a 8 anos podendo ser elevada a 17 anos com agravantes citados), dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e com considerável prejuízos para a vítima (pena de 6 meses a 3 anos) e deterioração do patrimônio tomado (pena de 1 a 3 anos).
Caso sejam aplicadas as penas máximas, Bolsonaro poderia enfrentar até 43 anos de prisão.
Leia mais: “Crusoé: Como a PGR enquadrou Jair Bolsonaro na trama golpista”
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (2)
Angelo Sanchez
19.02.2025 12:11Cid fez de tudo para escapar desta tortura que lhe foi imposta injustamente pelo Supremo, o mesmo que soltou chefe do narcotráfico e descondenou um corrupto condenado em todas as instâncias. Cid seria capaz de acusar a própria mãe para se ver livres dos seus carrascos do STF.
Luis Eduardo Rezende Caracik
19.02.2025 11:59Mais uma vez, um político safado e incompetente vai mobilizar o STF inteiro durante meses, para ser julgado, e começará uma nova novela que a imprensa toda também vai focar. Desperdício de tempo, dinheiro e da paciência dos contribuintes.