China finalmente revela o segredo da Fossa das Marianas
No ponto mais profundo da Terra, a Fossa das Marianas esconde um ecossistema surpreendente. Saiba por que ele intriga a ciência mundial
A Fossa das Marianas é um dos ambientes mais extremos e enigmáticos da Terra: um abismo oceânico tão profundo que poderia “engolir” o Monte Everest, abrigando formas de vida adaptadas à escuridão, à pressão colossal e a um ecossistema baseado em química, não em luz solar.
O que torna a Fossa das Marianas um abismo tão extremo?
Enquanto o Everest simboliza a altura, a Fossa das Marianas representa o limite oposto: a profundidade. Com cerca de 11.000 metros, ela é o ponto mais profundo da superfície terrestre, superando a altura da maior montanha do planeta.
Além da profundidade, sua extensão impressiona: são aproximadamente 2.550 quilômetros de comprimento e trechos com até 70 quilômetros de largura, como uma gigantesca “cicatriz” silenciosa no fundo do oceano, invisível para quem está na superfície.

Como a profundidade foi medida e por que a pressão é tão intensa?
No século XIX, expedições como a do navio britânico Challenger usaram cordas com pesos para medir o fundo do oceano, registrando mais de 8.000 metros. A partir dos anos 1950, sonares passaram a calcular a profundidade pelo tempo que pulsos sonoros levam para atingir o fundo e retornar.
Com essa tecnologia, estimou-se cerca de 10.984 metros, valor arredondado para 11.000. Nessa profundidade, a pressão chega a mais de mil vezes a atmosférica ao nível do mar, o equivalente a equilibrar várias toneladas sobre uma única polegada quadrada, comprimindo tudo ao redor.
O que a descoberta chinesa em 2025 revelou sobre a vida na zona hadal?
A zona hadal, abaixo de 6.000 metros, era vista como um ambiente quase estéril, com poucos invertebrados e microrganismos dispersos no frio de cerca de 1 ºC e com pouco alimento. Em 2025, uma expedição chinesa tripulada encontrou milhares de formas de vida perto dos 10 quilômetros de profundidade.
Foram observadas colônias densas de vermes, moluscos e outros invertebrados, tornando-se a colônia de seres vivos mais profunda já registrada. Análises genéticas identificaram 7.564 espécies, quase 90% desconhecidas da ciência, reforçando a ideia de um “outro mundo” biológico no fundo do mar.
Como a vida sobrevive sem luz solar e o que isso indica sobre outros mundos?
Na superfície, a vida depende da fotossíntese; na Fossa das Marianas, a base é a quimiossíntese, em que microrganismos usam reações químicas para produzir matéria orgânica. Muitos se alimentam de metano de rachaduras vulcânicas ou gerado ali mesmo, formando um “tapete” microbiano que sustenta todo o ecossistema.
Essas formas de vida, adaptadas à pressão extrema, baixa temperatura e ausência de luz, sugerem que ambientes considerados hostis em outros planetas e luas podem ser habitáveis. Isso amplia o conjunto de mundos potencialmente aptos a abrigar vida baseada em processos químicos, e não em energia solar.
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Quais riscos a mineração em águas profundas e a poluição trazem para esse ecossistema?
Mesmo tão isolada, a Fossa das Marianas já mostra sinais da ação humana: poluentes industriais foram encontrados em água, solo e peixes, e expedições anteriores registraram resíduos como papel de bala no fundo do mar. Ao mesmo tempo, cresce o interesse pela mineração de recursos minerais em grandes profundidades.
Esse cenário levanta preocupações ambientais e de governança internacional, que envolvem discussões sobre exploração econômica e preservação científica. Pesquisadores alertam que uma vez alterados, muitos processos físicos, químicos e biológicos em ambientes hadais podem levar séculos ou milênios para se recuperar, se é que se recuperam totalmente.
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