Catarina Rochamonte na Crusoé: Agosto, mês do desgosto, a gosto de Trump
A política externa do presidente americano é exercida de forma irregular, arbitrária, irresponsável, personalista, caprichosa e agressiva.
“Agosto, mês do desgosto”, diz o trocadilho popular, refletindo certa superstição em torno dessa época do ano.
Em 1954, o mês de agosto foi turbulento, marcado pelo suicídio de Getúlio Vargas (evento que serviu de pano de fundo para o livro Agosto, de Rubem Alves, publicado em 1990).
Em 2025, o mês de agosto também promete ser agitado na política e na economia, após a imposição do tarifaço de 50% sobre exportação de produtos brasileiros para os Estados Unidos e da aplicação da lei Magnitsky contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
O decreto em que é confirmada taxa adicional de 40% (sobre taxa já existente de 10%), assinado pelo presidente Trump, apresenta um tanto de motivação econômica e outro tanto maior de motivação política.
A ação econômica – já de si abusiva – é acompanhada de uma avaliação política carente de fundamento.
“Enfrentando uma emergência nacional”, diz o título do documento divulgado pela Casa Branca e por Trump em sua rede social. E continua:
“Hoje, o presidente Donald J. Trump assinou uma Ordem Executiva implementando uma tarifa adicional de 40% sobre o Brasil, elevando o total da tarifa para 50%, para lidar com políticas, práticas e ações recentes do Governo do Brasil que constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”.
Trata-se, tal avaliação, de um exagero. Ações recentes e antigas da política externa do governo Lula, especialmente em relação aos Estados Unidos, são, de fato, muito ruins; mas o Brasil não possui potencial tão extraordinariamente ameaçador.
O jogo de Trump é sujo. A política externa do presidente americano é exercida de forma irregular, arbitrária, irresponsável, personalista, caprichosa e agressiva.
Mas todos os adjetivos ora elencados cabem também perfeitamente à política externa de Lula.
Como disse muito bem o jornalista William Waack, em recente artigo, “nos dois países estão no timão dirigentes políticos de horizontes extraordinariamente estreitos”.
Se, por um lado, “Trump simboliza o triunfo da imbecilidade em geopolítica”, como descreve Waack, por outro lado, “não há nada que…
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