Castro ocupou casa de fornecedor do governo do Rio
Empresário proprietário do imóvel em Petrópolis viu contratos multiplicarem 177 vezes durante gestão do ex-governador
Uma residência de alto padrão em Petrópolis, ocupada pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), está registrada no nome de uma empresa pertencente a um empresário cujos contratos com o governo fluminense cresceram de forma expressiva entre outubro de 2023 e o começo de 2026.
Segundo O Globo, Castro disse que pagava aluguel pelo imóvel, mas não apresentou comprovantes nem informou o destinatário dos pagamentos.
Contratos multiplicados
A casa faz parte do condomínio Villa Locanda e está registrada em nome da pessoa jurídica que administra o empreendimento, de propriedade de Luiz Fernando Gomes.
Por meio de outra empresa sua, a Engeprat, o empresário fechou contratos de engenharia com o Executivo estadual que totalizam R$ 355 milhões durante a gestão Castro. Antes de o político assumir o Palácio Guanabara, o valor recebido pela firma não ultrapassava R$ 2 milhões — uma expansão de 177 vezes.
Ao todo, a Engeprat firmou 13 contratos com o governo do Rio, dos quais onze foram assinados após 2022, já sob o comando de Castro. O de maior valor refere-se a serviços de topografia. Gomes atribui o crescimento às obras iniciadas depois das tragédias ambientais registradas em Petrópolis no começo daquele ano.
Versões distintas sobre o imóvel
Castro afirma manter um “contrato de locação regular” do imóvel, “com pagamentos realizados por transferência bancária”, e diz que o vínculo foi encerrado nos últimos meses, após deixar o cargo. Segundo nota distribuída por sua assessoria de imprensa, “não há conflito de interesse” e o ex-governador “não mantém e nunca teve qualquer relação jurídica ou comercial com a empresa ou com o empresário citado”.
Gomes nega ligação direta com a ocupação do imóvel pelo político. Segundo ele, a casa foi vendida a um investidor não identificado ainda durante a construção, em fevereiro de 2023, e desde então é esse comprador quem administra a locação. Nem Castro nem o empresário apresentaram documentos que sustentem suas respectivas versões.
Deslocamentos e investigações
Entre janeiro de 2024 e o início de 2026, Castro utilizou o helicóptero oficial do governo ao menos 24 vezes para viagens de fim de semana a Petrópolis, pousando em helipontos próximos à residência.
A casa não foi alvo das buscas realizadas pela Polícia Federal em duas operações que atingiram o ex-governador em maio, voltadas ao caso do Banco Master e à influência da Refit — antiga Refinaria de Manguinhos — no governo estadual.
Argumento semelhante ao usado no caso do imóvel de Petrópolis já havia sido apresentado por Castro em relação a uma cobertura no Rio de Janeiro, adquirida por uma empresa em nome do ex-secretário de Transformação Digital Mauro Farias. Segundo o ex-governador, o aluguel mensal do apartamento, comprado por R$ 3,5 milhões, seria de R$ 10 mil.
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