Castro deixa governo do RJ antes de julgamento no TSE
Renúncia antecipada ocorre sob risco de inelegibilidade no caso Ceperj
O governador Cláudio Castro (PL-RJ) renunciou nesta segunda-feira, 23.
A saída foi comunicada a aliados em cerimônia no Palácio Guanabara, sede do governo, na véspera da retomada do julgamento do caso Ceperj pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Castro, que corre risco de ficar inelegível no processo, pretende disputar uma vaga no Senado e, por isso, precisaria deixar o cargo até o início de abril.
A antecipação da renúncia busca esvaziar o julgamento no TSE e evitar uma eventual cassação.
Sem vice-governador e com o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar, afastado das funções, assume interinamente o governo o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto.
Pela legislação, caberá a ele convocar uma eleição indireta, na qual os deputados estaduais escolherão um nome para comandar o governo em mandato-tampão até a eleição do próximo governador.
Paes alfineta
O ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) criticou o governador Cláudio Castro por anunciar para esta segunda-feira, 23, o encerramento do próprio mandato.
“Encerramento de mandato nada! Trata-se de um governador omisso fugindo da justiça. Fugindo não! Pior! Desrespeitando a justiça com os crimes que cometeu! Não podemos mais permitir que esse tipo de impunidade aconteça. Destruiu com seu grupo o Rio de Janeiro! Não passará impune! E ainda quer fazer o sucessor para continuar aprontando! Tenho certeza de que o TSE não admitirá esse tipo de chicana!”, protestou Paes em seu perfil no X.
Paes, que deixou a prefeitura para disputar o governo do estado, seguiu:
“Para quem não sabe o que é chicana o ChatGPT explica:
No meio jurídico, ‘fazer chicana’ significa usar artifícios formais ou recursos excessivos para atrasar um processo, sem necessariamente contribuir para a justiça da causa.
Também pode ser usado de forma mais ampla, como:
•truque
•enrolação estratégica
•jogo de palavras para escapar de um argumento!”
Julgamento no TSE
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomou em 10 de março o julgamento de recursos que pedem a cassação dos diplomas do governador do Rio de Janeiro, do ex-vice Thiago Pampolha (MDB), e do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) afastado Rodrigo Bacellar (União), mas um pedido de vista paralisou o caso de novo.
Eles são acusados de abusos de poder político e econômico nas eleições de 2022. Após a apresentação do voto-vista pelo ministro Antonio Carlos Ferreira, foi a vez de Kassio Nunes Marques, vice-presidente do TSE, pedir vista para análise mais detida dos processos.
Até agora, a relatora original, ministra Isabel Gallotti, e o ministro Antonio Carlos Ferreira votaram pela cassação dos diplomas dos políticos. A presidente do TSE, Cármen Lúcia, anunciou que o julgamento será retomado nesta terça-feira, 24, e, se houver necessidade de continuidade, será convocada sessão extraordinária para o dia seguinte, 25.
Castro aparece bem nas pesquisas de intenção de voto para o Senado do Rio de Janeiro, principalmente após o choque de segurança no Rio de Janeiro, simbolizado pela Operação Contenção, que matou mais de 100 faccionados em outubro de 2025. Não por acaso, as redes sociais do governador praticamente só tratam de ações policiais há meses.
Leia mais: “Trata-se de um governador omisso fugindo da justiça”
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