Caso Master prejudica imagem do sistema financeiro, diz CEO do Nubank
David Vélez afirma que caso não representa risco sistêmico, mas admite danos à reputação do setor
A falência do Banco Master e os desdobramentos criminais que dela emergiram colocaram em xeque a credibilidade do sistema financeiro brasileiro. Para David Vélez, fundador e CEO do Nubank, banco digital com 131 milhões de clientes na América Latina, o episódio “não é bom para a reputação” do setor.
Em entrevista virtual, o executivo colombiano disse que o caso “é definitivamente preocupante”, mas ponderou que ele “não gera um risco sistêmico porque é um banco relativamente pequeno”.
O colapso do Master
O Banco Master entrou em liquidação por insolvência em novembro de 2024, com dívidas estimadas em torno de R$ 36 bilhões junto a aproximadamente 800 mil investidores. Os valores foram cobertos por um fundo de garantia, evitando um colapso direto sobre os credores.
O escândalo, porém, foi além dos balanços. A Polícia Federal abriu investigação sobre a atuação de Vorcaro, que em depoimento anterior aos agentes declarou ter “amigos em todos os ramos do governo”. Em março de 2025, ele foi preso sob suspeita de coordenar um desfalque de proporções multimilionárias.
O mandado de prisão, expedido pelo Supremo Tribunal Federal, descreveu uma organização com quatro frentes de atuação: fraude financeira, corrupção de servidores do Banco Central, lavagem de dinheiro e um braço de intimidação responsável por monitorar ilegalmente jornalistas, ex-funcionários e autoridades públicas.
Poder e política
O caso transbordou para a arena política. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ter se reunido com Vorcaro em 2024, e prometeu que a investigação seria conduzida “com todo o rigor da lei”.
A proximidade entre o banqueiro e figuras do poder público, revelada em etapas pela investigação, ampliou o alcance do escândalo para além do mercado financeiro. O caso passou a ser lido também como um sinal de alerta sobre os vínculos entre o setor bancário e o Estado.
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